CAFUNDIOU-SE

Em 1883, o vapor belga “Copernicus” naufragou perto da cidade do Recife. Os objetos salvados do naufrágio, principalmente fazendas, que foram dar à praia, logo foram postos a venda nas lojas de tecidos que atendiam às classes menos abastadas.

Certa vez entrou um matuto numa loja de fazendas finas da cidade, e agradou-se de uma peça de chita do fabricante “Weiss-Fries”, de Mulhouse, na França. Chamando o vendedor, disse-lhe:

– Quero levá esse pano do vapô cafundiou-se.

O vendedor, com grande empáfia, explicou-lhe, porém, que aquele tecido não era salvado do naufrágio; que a loja não trabalhava com aquela espécie de fazenda.

Ao que o matuto, que lia alguma coisa, apontando para a etiqueta onde estava escrito “Mulhouse”, protestou:

– Oh! Seu freguê? Pois vosmicê diz que não tem fazenda do vapô cafundiou-se e aqui diz “molhou-se”! Se não qué vendê antonse diga!

E lá se foi o homem pela porta afora, indignado, a procura de fazenda “do vapô cafundiou-se”!