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POLICIAL NATO

O escravo comunica ao seu amo:

– Nhonhô, peguei um ladrão.

– Onde está ele?

– Voltou a fugir.

– Então, vai te alistar na polícia.

PRECAUÇÃO

Um guarda urbano, encostado à guarita, ao ver aproximar-se um vulto suspeito, avisa:

– Se é gatuno, passe de largo!

E A MIM?

Na rua, um janota acariciando o rosto de uma adolescente, diante de um pedinte de almas que se afasta com sua bandeja de santos na mão, diz:

– Sinhá, para que beijar estas imagens? Quem sabe quanta gente e que gente! As beijou hoje. Faça como eu, que gosto mais de beijar uma carinha bonita como esta…

– E o senhor sabe também quem me beijou hoje?

A MESMA

De janeiro de 1829 a maio de 1833, esteve à frente da prisão da Torre de S. João da Barra, o bronco oficial Teles Jordão. Tão ardoroso defensor da Rainha que costumava bradar a quem quisesse ouvir: “Viva Dona Carlota Joaquina” e “Morra a D. Pedro I e a puta que o pariu”!

 Ninguém se aventurava a lembrar o inflamado mancebo, que a puta que parira D. Pedro I fora a mesma a quem ele dava vivas…

DE QUE ADIANTA?

De Tomás de Noronha (? – 1651), a respeito de certa mulher, que tinha o cuidado de fechar bem a porta da casa ao entardecer, mas que depois, às escondidas, recebia o cura:

Que importa ao crédito vosso
Fechardes, todos os dias,
A porta às Ave-Marias,
Se a abris ao Padre-Nosso?

OS NOIVOS

A respeito de uns noivos que casaram na igreja, ele com roupas emprestadas e ela gripada e com febre:

Saiu o noivo muito bem trajado,
Saiu a noiva muito bem trajada
O noivo com tudo emprestado,
A noiva toda emplastrada.

Folgamos todos os amigos seus
De ver o noivo assim com tanto brio,
De ver a noiva assim com tanto brio.

Disse-lhes o cura então: – Confia em Deus.
E respondeu o noivo: – E eu confio.
E respondeu a noiva: – E eu com frio.