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UM ESTRANHO NO NINHO

O que levou um cortesão da época a afirmar que o rei devia olhar os seus rebentos com a admiração de uma galinha que chocou ovos de pata.

Um dos versos populares que corriam a respeito na época, era o seguinte:

                        Miguel não é filho d’El-rei D. João

                        É filho do João Santos (cocheiro) da quinta do Ramalhão.


SALVAR OS COLEGAS

Um frade estava à mesa para jantar com os outros frades, e vendo que lhe punham diante uma tigela com meia dúzia de feijõezinhos numa caldarada imensa, começou a despir-se a toda pressa, com modos de aflito e grandes ais.

– O que faz, Padre? – perguntou o guardião.

– Vou me jogar a nado, a ver se salvo este par de religiosos que se está afogando nas grandes águas.

DEVASTAÇÃO

Um defensor num caso de roubo de galinhas, para deitar erudição,  iniciou seu arrazoado no tribunal com as palavras:

– Tinha Xerxes um exército de um milhão de combatentes…

O presidente do tribunal, sentindo que vinha longa e tediosa arenga, o interrompeu:

– Vamos! Vamos!… Advogado, Faça passar de uma vez esse exército, que o país todo já foi arrasado…

INOCENTE

Um homem chamado Lucas, vendo a sua mulher sofrer no parto, tratou de dar-lhe apoio. Mas ela foi tão simples que lhe respondeu:

– Não te desconsoles tanto, marido meu, que a culpa não é tua.

ALOJAMENTO REAL

Como o séquito da Família Real, composto de nobres e camaristas, era numeroso demais para ser abrigado todo no Paço, previamente os edifícios mais próximos fora esvaziados, reformados e decorado para abrigar os recém-chegados. Assim, foram requisitados e adaptados para essa finalidade, o Convento do Carmo, a Casa da Câmara e até mesmo… a Cadeia.

Corria uma anedota na cidade que dizia que quando dois navios portugueses cruzaram-se no meio do oceano, um vindo do Rio e outro para lá se dirigindo, um tripulante deste último perguntou a um do primeiro:

– Acaso sabem lá no Rio de Janeiro que a Família Real está para chegar?

– Sim, – teria respondido o outro – até estamos preparando a Cadeia para recebê-la.

ARRUME AS TROUXAS

Certo fidalgo pediu ao juiz Agostinho Petra de Bittencourt uma determinada casa. Ele deferiu o pedido. Depois o fidalgo quis casa melhor. Tornou a deferir. Depois exigiu mobília. Deferimento. Depois, mobília melhor. Depois, escravos para servi-lo.

Quando o fidalgo fez esta última exigência, o desembargador Petra levantou-se bruscamente. A sua esposa estava ali ao lado, e ele, num rompante, disse:

– Dona Joaquina arrume a trouxa. Este senhor já me pediu casas, mobílias, escravos, e com certeza vai me pedir mulher e eu só tenho a senhora, a senhora eu terei que lhe ceder, porque a lei não permite negar-lhe nada!