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ESCALDA PÉS

Um barbeiro, logo que lhe falassem em frieiras aconselhava um escalda pés; pois é nos pés que elas ordinariamente atacam com mais força.

Um dia perguntou-lhe uma mulher o que havia de fazer ao seu filho que tinha  frieiras.

– Dê-lhe um escalda pés – aconselhou o barbeiro.

– Mas o meu filho não tem frieiras nos pés, tem-nas nas orelhas…

– Ah! – respondeu o barbeiro – pois então lhe dê um escalda pés às orelhas.

AUTOR PREFERIDO

– Minha senhora, já leu os “Trabalhadores do Mar”?

– Não, senhor. É bom romance?

– Excelente.

– Hei de ler, eu aprecio as obras de Victor Hugo, e leio com tanto gosto, que no fim do primeiro capítulo, já estou dormindo.

MELHOR DE CAVALO

Querendo um indivíduo injuriar a outro pela imprensa, consultou um rábula, mostrando-lhe o artigo, cuja injúria mais saliente consistia na palavra “burro”.

Este, depois de ler com atenção, observou ser melhor usar antes a palavra “cavalo”, porque a outra encerrava mais um elogio do que uma injúria.

– E então por quê? – perguntou o indivíduo.

– Porque de um burro, – retorquiu o rábula – se faz um ministro, um bispo, um presidente, um deputado, um juiz… e de um cavalo nada se faz.

 

SÓ SE FALTAR COMIDA!

Temores da mãe para com o filho, que está prestes a seguir para a frente de batalha, na Guerra do Paraguai:

                        – Toma cuidado meu filho,

                        Não vá morrer lá na briga!

                        – Tal susto não me atrapalha;

                        Morrerei mas é se há falha,

                        De munição pra barriga.


VAGABUNDO

O moleque, abrindo a janela pela manhã, diz para o estudante, que ainda está na cama:

– Sinhô moço, aí está o explicador* de filosofia.

Estudante:

– O meu explicador já de pé, e eu ainda estou deitado! Moleque, fecha depressa a janela, eu sou indigno de ver a luz do sol.

DERAM CRIA

Um sujeito escreveu um drama, que mandou publicar, e pôs à venda em uma loja 50 exemplares. Passado um ano, o autor mandou buscar o produto, e o dono da loja enviou-lhe 51 exemplares e nada de dinheiro. Então o “dramaturgo”, meio zangado, foi perguntar ao comerciante:

– Que diabo de história é essa?! Pois que os exemplares eram 50, e me foram entregues 51!

O dono da loja respondeu:

– Eu lhe enviei um de presente, pelo favor de me haver “desentupido” as prateleiras!