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BOA PROFISSÃO
Indo um ladrão de cavalos para a forca, disse-lhe uma velha compadecida do seu infortúnio:
– Não vos fora melhor, filho, aprender um ofício do que ser ladrão, para virdes a morrer tão afrontosamente?
– Oh! Mulher! Pois o me ofício não é mau, se ao menos me deixassem trabalhar!…
NÃO É A TODA HORA…
Ao atravessar um príncipe estrangeiro uma pequena aldeia, numa viagem, pediu dois ovos cozidos, enquanto mudavam de cavalos à porta de uma estalagem. Ao querer pagá-los, pediu-lhe o estalajadeiro o valor de um jantar.
– Tudo isso! – exclamou o rei – Muito raros são os ovos nesta terra?
– Nada, não, – respondeu o homem – os ovos não são raros, os príncipes é que o são.
DEUS AJUDA MESMO?
Uma velha tinha um filho muito preguiçoso, e para convencê-lo a levantar cedo, disse-lhe uma manhã:
– Madrugue, filho meu, madrugue! Port ter levantado muito cedo, o nosso vizinho achou outro dia uma bolsa cheia de moedas de ouro!
– Ó minha mãe, – respondeu-lhe o rapaz, puxando as cobertas para cima de si. – pois se quem a perdeu, tinha levantado ainda mais cedo?
NÃO É OCASIÃO
Uma mulher muito namoradeira, tendo envelhecido e achando-se doente de perigo, mandou chamar um confessor, o qual lhe disse:
– É preciso, senhora, esquecer a vossa vida passada, e não amar senão a Deus.
– Ah! Meu padre, – lhe respondeu ela – no estado em que estou como hei de tratar de novos amores?
DAR OPORTUNIDADE A ELES
Em 1808 o governo português declarou guerra aos índios do Brasil por meio de um manifesto escrito na linguagem de Camões.
– Vou pedir um armistício – exclamou o jornalista gaúcho Hipólito José da Costa, ao terminar a leitura de semelhante manifesto.
– Para que? –perguntou-lhe um amigo.
– Para dar tempo aos índios de aprenderem a ler, a fim de entenderem o que aqui se diz!
O “CABRINHA”
De 1806 a 1809, o governador da capitania do Maranhão foi D. Francisco de Melo Manuel da Câmara. Como governante, foi uma verdadeira peste: colérico e despótico. Mas que em seus despachos demonstrava bastante originalidade e senso de humor.
O povo passou a chamá-lo ( à boca pequena), o Cabrinha; já que cabra significava na gíria da época mulato, e o governador tinha uma tez morena. O diminutivo não tinha a atenção de amenizar, mas antes de acentuar. Na sua presença, entretanto, eram só rapapés e reverências!…
Pelo apelido verifica-se que os cidadãos da época além de poltrões eram preconceituosos…