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ERUDITO
Num concerto, um velhote diz à filha ao lado, que tem próximo a ela sentado um cavalheiro de fartos bigodes e ar de entendiado:
– Arre, aquele estafermo do fundo não acaba mais?
– Papai, olha que o irmão do pianista está nos ouvindo… – comenta a jovem, mostrando o vizinho.
-… Sim, aquele estafermo do fundo não acaba mais de fazer barulho, não nos deixando ouvir este delicioso trecho de Chumbregas…
– Não é Chumbregas, papai, é Schubert.
MELHOR RESULTADO
No seu atelier, um artista dá os toques finais numa grande tela representando uma bela jovem nua, em corpo inteiro. Diz ele à modelo que se encontra posando, em pé sobre um estrado:
– Este quadro vai para a exposição.
E ela:
– E se fosse eu mesma, não ganharíamos mais?
BUROCRACIA
Durante o alistamento eleitoral, o presidente da Junta dirige-se a um velho, recurvado, totalmente decrépito e enrugado:
– Não pode ser atendido; é preciso que traga a sua certidão de idade, para provar que é maior.
O alistante:
– Mas, seu doutor, a minha certidão está em Boa Vista, em Goiás, lá onde o diabo perdeu as botas. Não basta a certidão de idade da minha última neta, que já tem 28 anos?
PRONÚNCIA
Quando o coronel Moreira César foi morto durante a campanha de Canudos, deram, em homenagem, seu nome à Rua do Ouvidor. Mas o novo nome não pegou, e o povo continuava a chamá-la Rua do Ouvidor. O que levou Arthur Neiva a dizer a um estrangeiro, ao acentuar as sutilezas do nosso idioma:
– Na placa da rua está escrito “Moreira César”, no entanto pronuncia-se “Rua do Ouvidor”.
ÁRVORE GENEALÓGICA
Quando a teoria de Darwin era novidade, Carlos de Laet dava uma aula no colégio D. Pedro II, em que ele se referia à fauna simiesca do Brasil.
Interrompeu-o um aluno:
– Professor, papai disse, lá em casa, ontem, que nós descendemos dos macacos.
Laet olhou o pequeno e, com certo ar de discrição, respondeu:
– Ah! Quanto a isso não sei. Seu pai deve saber melhor que eu. Não me meto em questões de família.
LARÁPIO CRISTÃO
Carlos de Laet era profundamente católico, tendo mesmo recebido o título de conde, pelo Vaticano.
Certa vez ele participava de uma reunião na associação católica Dom Vital, que ele presidia, quando desabou sobre a cidade um tremendo temporal. Ao terminar a reunião com os associados, fora ainda chovia.
Quando foi procurar seu indefectível guarda-chuva, percebeu que alguém o havia carregado. Cheio de indignação, ele exclamou:
– Qual foi o ladrão Católico Apostólico Romano, que me roubou meu guarda-chuva?