Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’
CORUJICE
Num chá com amigas, a mulher de certa idade diz às outras, entusiasmada:
– Meu filho não parece médico. A letra dele é uma beleza! Cheia, uniforme, bonita e legível…. Faz gosto ver-se um atestado de óbito passado por ele!…
EM COMPENSAÇÃO
Uma senhora muito angustiada, pergunta ao seu filho pequeno que acaba de retornar da farmácia:
– E então? Você explicou ao farmacêutico que eu tomei o remédio de banhar a perna, e passei na perna o que era para tomar?
– Sim, senhora. E ele disse que não fazia mal, porque ele também tinha trocado os rótulos…
FAISCANTE
Em conversa com Agrippino Grieco, alguém se referia a um literato qualquer, levando o grande crítico a comentar:
– Não. Mas esse é muito burro!
– Não creia. Ele tem umas coisas verdadeiramente brilhantes – teima o outro.
E Aggripino, sorridente:
– Mas lógico! São as faíscas das ferraduras!
CONSOLO
Um homem encontrou um conhecido na rua, profundamente deprimido:
– Imagine você. Há quinze dias perdi meu tio Antônio e hoje acabo de perder minha mulher!
– São coisas que acontecem, meu amigo – consolou o outro. – Os períodos como esses na vida são muito vulgares. Imagine que eu, numa semana, já perdi uma bengala, um sobretudo e quatro guarda-chuvas!
QUE PORCARIA
Um comendador, ex-atacadista de secos e molhados, retornando de viagem de turismo à Itália, declarou a sua decepção com o país:
– Hómain! Em Veneza encontrei as ruas inundadas; em Roma, o tal Coliseu ainda está em obras; em Pisa, se não me cuido, uma torre me cai na cabeça; Pompéia está com as casa em péssimo estado; e Nápoles está às voltas com um fogaréu de montanha que os bombeiros não conseguirão apagar tão cedo!…
PARENTESCO
Um dia apareceu na casa de Adoniran Barbosa (João Rubinato) um moço, cobrador da Irmandade do Santíssimo, a que a mulher de Adoniran pertencia:
– O Sr. é João Rubinato?
– Tá e quá. Para que lhe posso servir?
– É que eu sou cobrador da Irmandade do Santíssimo, e queria entregar o recibo da mensalidade.
– Olha, esse negócio é com a minha mulher, e ela agora não está em casa.
– O senhor, parece-me, não é Irmão do Santíssimo…
– Não senhor, eu sou cunhado.