Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’

BISCOITO DO DIABO

Um caipira passeava pela cidade no domingo, quando de repente deu de cara com uma casa que ele não conhecia. Era um café em que também havia mesas de bilhar. O letreiro dizia: CAFÉ-BILHAR. O roceiro leu o nome e pensou: Uai! Cafér bilhar? Puis esse tipo de cafér eu num conheço!… Vô experimentá!…

Sentou-se ao balcão e pediu:

– Moço! Me dá aí um cafér-bilhar…

O rapaz, querendo divertir-se à custa do caipira, trouxe-lhe uma “média” e três bolas de bilhar num prato.  O caipira tomou um gole do café e, pegando uma das bolas, fincou-lhe uma dentada… Vendo que nada conseguia, molhou-a bem molhada no café e pôs-se a roê-la… Nada! Desconfiado, largou a bola, tomou o café e chamou o empregado:

– Quanto é?

– Duzentos réis…

– Intão eu pago só um tostão: – o cafér é bão, mais o biscoito é duro como o diabo!…

ORIGINALIDADE

Certa ocasião, o humorista Terra de Cena, incentivado por amigos, leu uma de suas peças para Gomes Cardim, diretor artístico da Companhia Ítala Fausta, que ocupava o Teatro Recreio. O que Cardim, que ainda não o conhecia, não sabia, é que Terra de Sena embora falasse fluentemente quando estava calmo, gaguejava terrivelmente quando nervoso. Quanto mais ficava excitado, mais gaguejava.

Ao final da leitura, Cardim aplaudiu com entusiasmo, dizendo:

– Bravo! Até que enfim uma peça original! Um drama onde todos os personagens gaguejam!…

EMPATE

Na sala de espera de um médico, dois desconhecidos conversam enquanto aguardam:

– Eu tentei o comércio, mas já vi que não tenho jeito prá negócio – diz um deles.

– Não tem jeito por quê?

– É que eu comprei uma vaca por 400 cruzeiros e vendi por 600. Acabei não ganhando nem perdendo.

-Como é que não ganhou, senhor? Se o senhor comprou uma vaca por 400 e vendeu por 600, o senhor ganhou 200 cruzeiros, meu amigo!

– Não ganhei, não senhor! Seu eu comprei uma vaca por 400, não paguei, e vendi por 600, não recebi, não ganhei nem perdi.

DIVÓRCIO XAVANTE

Um dia, um xavante daqueles bem mal encarados, procurou um padre missionário, para que o casasse com duas mulheres. Aí o padre explicou que ele só podia casar-se com uma. Que escolhesse uma das duas, e voltasse no dia seguinte.

No dia seguinte, ele voltou de fato com uma mulher e o padre então fez o casamento. Quando acabou o ato, o padre então perguntou pro xavante:

– E a outra moça? O que o senhor fez com ela? Abandonou-a?

– Não, a outra eu comi ontem ensopada com chuchu.

MUITO RÁPIDO

Um homem diz a uma mulher que ele encontra.

 – Mas a senhora está um tanto pálida… o que foi que aconteceu com a senhora?

– Ihhh, foi um susto que eu levei agora… quando eu vinha prá cá, um bruto de um largato enorme atravessou correndo na minha frente e quase que me mordeu as perna, ihhh…

– Largato? Mas era largato ou lagarto?

– Ah, não sei. Passou tão depressa que nem deu prá eu vê direito…

SEM PROBLEMA

Viajava para Pernambuco, de navio, a Companhia de Revistas de Adolfo de Faria. Dela fazia parte João Colás, ator muito genioso e temperamental. Ele namorava uma das coristas e viviam brigando como cão e gato. Numa dessas brigas a bordo, o Colás foi ter com o Adolfo de Faria, que estava no salão num grupo de outros passageiros e dise-lhe:

– Adolfo, fique sabendo que não trabalho mais com essa “cavalheira”. Estou fora! Essa minha resolução é definitiva! Não trabalho em Recife. Vou-me embora da Companhia… Providencie imediatamente a minha substituição!

Adolfo de Faria, tranquilamente, respondeu a Colás:

– Está bem. Na primeira esquina eu mando parar o navio e você pode saltar.