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DESTA VEZ…
Cornélio Pires candidatou-se a uma cadeira na Academia Paulista de Letras, mas perdeu para outro candidato, de mérito literário discutível.
Às vésperas de submeter sua candidatura novamente, tempos depois, o caricaturista Voltolino publicou no jornal humorístico, O Pirralho, um desenho de Cornélio dizendo a um burro:
– Num vê que eu sô mais troixa: agora eu vou a pé, porque outra vez o cavalo entrou e eu fui barrado.
DE QUEM?
Um português visitava a casa de um general de divisão, quando viu uma gentil filha deste, que tomando na mão uma ave exótica, a entregava com estas palavras à irmã:
– Aqui tens a cacatua. Encontrei-a solta, e podia ter fugido se eu não chegasse no momento.
E o lusitano para a segunda senhora:
– É com efeito bonita a caca-sua.
– Caca-sua ?! – exclamou a dama com espanto.
– Como ouvi a mana de V. Exª dizer cacatua, julguei que realmente a caca fosse de V. Exª.
SÓ MEIO
Uma mulher visitava um professor universitário de Coimbra. No decurso da conversa, ela perguntou-lhe:
– Em Coimbra, nas férias, o movimento é incomparavelmente menor?
– Evidentemente – confirmou o mestre – Veja V. Exª isto: quando estão os rapazes, abatem-se quotidianamente, pelo menos, dois bois; em férias, apenas para o consumo da cidade – basta matar meio boi…
TRAU
Um cavalheiro erudito, mal restabelecido dos ferimentos produzidos por uma queda de um cavalo, não querendo faltar a certa reunião social na casa de amigos, apareceu na sala coxeando e apoiado a uma bengala:
– Que tem, Doutor? – perguntou com amável interesse uma dama a quem o cavalheiro cumprimentara gentilmente – É reumatismo?
– Trau, minha senhora, trau – informa ele.
A dama, intrigada:
– Trau? Perguntei se o que sofre é reumatismo.
– Pois é por isso – replicou ele – Trau, minha senhora, traumatismo.
FOI DIFERENTE
Um dia antes da boda, a noiva está muito triste, à idéia de separar-se de seus pais. A mamã diz-lhe:
– Vamos. Não sejas tola. Depressa te acostumarás à vida conjugal. Comigo aconteceu o mesmo.
– Sim. Mas, é que tu te casaste com papai, e eu caso-me com um homem que nem sequer é da família.
À RISCA
Um homem pediu a um pequeno que encontra na rua:
– Menino! Queres olhar para este cavalo enquanto bebo um trago na venda?
– Com todo o gosto.
Daí a pouco, o homem sai da venda e, vendo que seu cavalo tinha desaparecido, disse ao menino:
– Não te pedi eu que olhasses para o animal?… Como, então, deixaste-o fugir?
– O senhor encarregou-me de olhar para o cavalo e eu não o perdi de vista, porque ainda estou vendo-o lá longe.