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ÚLTIMO SUSPIRO

Um homem possuía, há anos, um cavalo em que costumava passear. Certa tarde, tendo saído montado, apareceu inesperadamente em casa, cheio de comoção e com lágrimas nos olhos.

– Que tem? – perguntaram-lhe.

– Uma grande desgraça!

– Mas que foi?

– O cavalo, coitado, que morreu…

– Como, como foi isso?

– Não sei – balbuciou ele, cada vez mais perturbado. – Íamos ali adiante… De repente o pobre animal empina-se, cai… Numa tremura ficou ali: “Ai Jesus! Ai Jesus! Ai Jesus”. E morreu.

MAGNATA

Logo depois de terem inaugurado na cidade umas linhas de bondes puxados a burros, conversavam num café certos acionistas da companhia, das irregularidades do começo, da freqüência dos descarrilamentos, da morosidade das viagens.

– É uma pena – dizia-se – que não se evitem tais inconvenientes e não se monte um serviço à altura…

– Isso, meus caros, desenganem-se – acudiu o mais ilustre deles – isso lá, enquanto eu não me puser à frente dos bondes, não entra esta coisa nos eixos!

ISSO SIM

O psiquiatra José Carlos Ferreira, por volta de 1910, encontrava-se certo dia no último andar de um manicômio em Porto Alegre, quando um louco repentinamente segurou-o, ameaçando jogá-lo lá embaixo.

Sozinho e indefeso, porém imperturbável, o médico disse ao agressor, desconcertando-o:

– Isso não é vantagem nenhuma. Eu quero ver é tu me atirares lá de baixo, aqui para cima.

ESQUECI

Conversa entre dois amigos:

– Que tem você rapaz?

– Há um mês, eu disse uma coisa à minha mulher e ela ficou sem falar-me uma semana.

– E que disseste?

– É justamente isso que não me lembro. E o pior é que estava precisando dizer-lhe outra vez…

MISS TURQUIA

Certa jovem, que não era turca nem conquistou nenhum prêmio de beleza, passou a ser conhecida como “Miss Turquia”, em virtude de uma queixa levada contra ela à polícia por um comerciante de secos e molhados lusitano, que declarou ao delegado:

– Ela m’isturquia!

– Ela é “Miss Turquia”?

– Sim, doitoire! Ela m’isturquia todo o dinheiro, que eu isturquia da freguesia…

MELHORA SUBSTANCIAL

Duas senhoras conversam numa reunião social:

– Então, madame Soares, como está o seu filho? Já está curado da cleptomania?

– Não, senhora, madame Peixoto; mas já vai bem melhor.

– Melhor?

– Sim, senhora. Antigamente ele só furtava carretéis de linha, latas de manteiga e latas de doce. Agora, não.

– ?…

– Agora ele só furta objetos de valor!