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COMO PODIA SABER?

O mendigo intercepta o granfino, à porta do restaurante:

– Tenha compaixão de um pobre cego carregado de família!

– Quantos filhos tem você? – pergunta o granfino.

– Não sei dizer. Sou cego…

SÓ UM RECADINHO

O Dr. Silveira estava uma manhã deitado, dormindo ainda, ao lado da esposa, já acordada. Ora, no seu sono, ele se põe a pronunciar um nome: “Zazá!! Zazá!…” A esposa acorda-o vivamente, e pergunta-lhe com ar severo:

– Quem é essa Zazá?

– Zazá? Zazá?? Ah, é o cavalo em que eu joguei nas ontem nas corridas.

No dia seguinte, o Dr. Silveira partia em viagem de negócios. À sua volta, perguntou à esposa o que se tinha passado durante a ausência.

– Oh, nada – respondeu ela. – Sim! Ia me esquecendo: o teu cavalo telefonou para aqui.

CULTURA TEATRAL

Um sujeito, tendo retornado de Portugal recentemente, contava coisas prodigiosas do teatro de São Carlos, em Lisboa. Como lhe perguntasse uma senhorita que tal achara o verso italiano, acudiu prontamente dizendo:

– Por muitas vezes vi representar a esse sujeito, e é dos melhores cômicos daquele teatro.

CANTO DO CUCO

Acredita-se em Portugal que o cuco é uma ave cujo canto anuncia coisas ruins, a quem tem a desgraça de ouvi-lo.

Dois camponeses iam juntos para a cidade, e como sucedesse ouvirem cantar um cuco no caminho, discutiram sobre qual deles era o infeliz, a quem o pássaro dirigia o seu canto de mau agouro. Querendo cada um lançar ao outro o azar, decidiram consultar um advogado, apenas entrassem na cidade.

 O advogado, logo que os rústicos lhe disseram que iam fazer-lhe uma consulta, exigiu de cada um doze tostões, antes de ouvi-los. Os homens deram prontamente o dinheiro e entraram a falar do canto do cuco.

Escutava-os o doutor com uma calma admirável; e depois que se fartaram de parolar, disse-lhes ele:

– Meus senhores, o cuco cantou na verdade contra ambos, e só cantou a meu favor, porque embolsei 2400 réis, quando menos esperava. Agora vão com Deus!…

COERÊNCIA

Um advogado, tendo perdido umaa causa  que defendia num tribunal, disse ao magistrado:

– Vossa Excelência hoje julgou deste modo, e este mês, na mesma causa, julgou tudo pelo contrário.

– E então?! – pergunta o magistrado, severamente, de cenho franzido.

 – Mas sempre bem!…

VÁ PARA O DIABO!

Em Fortaleza, um devoto prometera acompanhar, de joelhos, a procissão de encerramento das festas de S. Francisco. Cumpria a promessa e, mais do que isto, dizia ainda, em voz alta, repetidas vezes, em todos os quarteirões do trajeto.

 – Senhor, eu pequei!… Senhor, eu pequei!

O político João Facundo de Castro Menezes estava em sua casa entregue ao estudo de certos documentos importantes, com os postigos fechados, quando ouviu aquela voz cavernosa berrar de sua calçada, por mais de uma vez, a citada confissão.

Irritado por não poder concentrar-se na leitura, João Facundo abriu a janela e gritou para o crente:

– Olhe meu amigo: faça a gentileza de ir pecar mais adiante!…