Arquivo por autor
ESPÍRITO CRISTÃO
No começo do século XIX, havia em Pernambuco um certo Gonçalo, sacristão de ofício, no qual se incluía o de ajudar os paroquianos a morrer. Ele punha-lhes uma vela benta nas mãos e ia com eles repetindo alto o nome de Jesus, até o trânsito derradeiro. Um dia em que assim fazia, o moribundo demorava-se em sua agonia. Gonçalo então exclamou, persuasivo:
– Morra logo, e deixe-se de bobagens!
PROBIDADE
Dois litigantes, que pretendiam o favor de um juiz, fizeram-lhe, cada um, um presente. O primeiro deu-lhe uma bilha de azeite de oliva, e o outro um porco. Sentenciou o juiz a favor do que lhe mandara o porco. Veio queixar-se o que perdera a, e o juiz respondeu-lhe que entrara na sua casa um porco que lhe tinha quebrado a bilha de azeite, e que este acidente lhe fizera esquecer-se da sua causa.
DO OUTRO LADO
Tendo um aldeão matado com uma lança um cachorro do vizinho que o atacara, este o denunciou ao juiz, que lhe perguntou por que havia feito aquilo. E ele respondeu que para defender-se. O juiz replicou que podia haver lhe dado com o cabo da lança; mas ele respondeu:
– Assim eu teria feito se o cachorro tivesse vindo para me morder com o rabo, e não com a boca.
SE EU SOUBESSE…
Contava-se em Lisboa no tempo do rei D. Sebastião I (1554 – 1578), que o rei de Marrocos, ao tomar conhecimento da enorme soma despendida por Portugal, no bombardeamento que lhe destruíra a metade da cidade, teria dito:
– Se nos temos entendido, eu a teria queimado toda, por metade do preço!
IGUALDADE
Um barbeiro fazia a barba de um homem de forma desastrada, causando-lhe vários cortes no rosto e fazendo-o gemer e gritar. Até que o freguês exclamou:
– Me dê uma navalha também; não é justo um homem ser atacado, sem que possa se defender.
PEQUENA MUDANÇA
O aprendiz de um barbeiro estúpido, cortou o cabelo de um freguês pela primeira vez. Ao terminar, ele chamou o mestre para que julgasse o seu trabalho.
– Não ficou bom, – disse o barbeiro – deixe-o um pouco mais comprido!…