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É LENDA

Numa taverna, um cocheiro dizia a seus companheiros de pândega:

– Sempre ouvi dizer que um copo de vinho sustenta um homem, mas não é verdade!  Eu já bebi mais de vinte, e não consigo ficar em pé.

DE DESGOSTO

Um ator cômico que fazia o papel de Arlequim, instando por seus companheiros para que contasse a morte de seu pai, responde:

– Nem queiram saber: o pobre morreu de desgosto ao perceber que estava sendo enforcado!…

SEM NOVIDADES

Um frade deveria fazer o panegírico de S. Nicolau numa festa. Como já fosse tarde, e ele estivesse fatigado, o frade subiu ao púlpito e disse:

– Meus irmãos: o ano passado, no dia de hoje, falei sobre as virtudes de São Nicolau – e como desde então não aconteceu nada de novo na vida do Santo, não tenho nada a acrescentar ao que disse na ocasião.

Dito isto, abençoou o auditório fazendo e partiu.

CONSELHO PRECIOSO

– Meu amigo, – disse um estudante a um barqueiro -, eu tenho necessidade de atravessar o rio, mas estou sem um tostão. Se vosmecê quiser me passar para o outro lado, eu não poderei dar em pagamento mais do que um conselho,… Mas é um conselho de ouro!

– E eu vou sustentar a minha família com conselhos?! – respondeu o barqueiro.

– É que é um conselho que poderá vos valer muito.

– Pois então entre você na barca, disse o barqueiro; – e logo que o tinha atravessado acrescentou: – Vamos ver que conselho é esse que vale tanto?

– É, amigo meu, que se vosmecê quiser viver do seu trabalho, jamais volte a dar conversa a outro tratante como eu!

E O OUTRO?

Tendo um oficial ficado caolho na guerra, substituiu com um olho de vidro o que lhe faltava, e que tinha o cuidado de retira quando se deitava; porém uma noite esqueceu-se e pediu a sua criada que o pusesse em cima de uma mesa. Vendo que a criada não se ia, perguntou-lhe irritado:

– O que está esperando?

– Aguardo que o senhor me dê o outro olho.

DIVISÃO DO TRABALHO

Bernardo Pereira de Vasconcellos sofria de uma paralisia nas pernas, que o obrigava a arrastar os pés quando andava. Entrava ele certa vez no Senado, esfregando os sapatos no soalho, quando o Visconde de Caravelas, que era coxo e abaixava-se de um lado a cada passada, lhe observou, rindo:

– Que é isso? Você está varrendo o Senado?

– É verdade – confessou o grande tribuno. – É verdade.

E aludindo ao defeito do outro:

– Eu varro o Senado e você ajunta o cisco!