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JÁ SE SABE

Entrou num grupo que conversava numa esquina, um sujeito que tinha fama de mentiroso. Antes que tivesse tido tempo de saudar os demais, houve um que lhe disse:

– Não é verdade!

– Mas homem, se eu não disse nada… – protestou o recém chegado.

– Assim mesmo: vais falar e vais mentir!

VINGANÇA DO RECRUTA

Um alferes de milícias usava imensos bigodes, ainda que tivesse a cara muito pequena. Como fosse muito duro com seus subordinados, um dia o muro do quartel amanheceu com a seguinte frase, escrita a carvão: “Alferes Fagundes: ou comprar cara, ou vender bigodes”

NÃO MAIS

Havendo sido roubado o Tesouro Público do Rio de janeiro, disseram ao Marquês de Maricá, que o crime fera praticado por miseráveis.

– Miseráveis! Miseráveis!… – exclamou o marquês. – Ah! Meu caro amigo, já não são mais miseráveis! O roubo de milhões enobrece os ladrões!

HOMENAGEM

Sátira de Manuel Inácio da Silva Alvarenga ao Conde de Resende, quando vice-rei:

                                   O nosso ilustre Narciso

                                   Conta hoje mais um ano

                                   Mostra o tolo o fio ao pano,

                                   A todos causando riso;

                                   Na prudência e no juízo

                                   Anda sempre para trás;

                                   Cada dia é mais rapaz,

                                   Nem lhe serve isso de afronta

                                   Pois quanto mais anos conta,

                                   Maiores asneiras faz.

POR NECESSIDADE

Um caloteiro foi pego em flagrante por um credor, comendo peru, e desculpou-se:

– Veja V. Exa. a minha situação: estou sendo obrigado a comer o peru porque nem dispunha de milho com que o sustentar…

PARA QUÊ?

O Visconde de São Lourenço era cego de um olho.

Havendo construído um grande prédio na Rua de Matacavalos, hoje Riachuelo, fizeram-lhe uns gaiatos o seguinte epigrama:

                                   Comer nozes e não ter dentes

                                   É coisa que mete dó,

                                   De que servem tantas janelas,

                                   Para quem tem um olho só?