Arquivo por autor
COMIDA AGITADA
Hans Staden foi conduzido prisioneiro para a aldeia dos seus captores. O filho do chefe Cunhambembe atou-lhe as pernas, dando três voltas em torno delas. E com os pés presos desta forma, o obrigou a deslocar-se para um lado e para outro; coisa que o coitado, claro, só podia fazer aos pulos. E os índios riam e gritavam:
– Lá vem a nossa comida pulando!
ALEMÃO DE ESTIMAÇÃO
O aventureiro alemão, Hans Staden, deixou registradas algumas manifestações do humor indígena, no famoso livro em que ele relata sua dramática passagem pelo Brasil, no período em que foi prisioneiro de índios antropófagos.
Para começar: por seu tipo físico alourado, de olhos azuis, exótico para os autóctones, ele foi tratado como “animal de estimação” pelos tupinambás, como se fosse uma arara ou um papagaio, tendo inclusive mudado de “dono”.
DAR SOPA
Sopa é qualquer coisa fácil, e a expressão de gíria carioca, dar sopa aplica-se quando uma mulher facilita (ou até estimula) a aproximação de um homem, com intenções amorosas. Como se espera que as mulheres sejam recatadas e “difíceis”, fica assim facilitada a abordagem masculina. O termo era freqüente nas “chanchadas” (comédias carnavalescas) dos anos 50, particularmente na boca dos personagens do comediante Zé Trindade. Tipo: – Rapaz, vou lá! Aquela “dona boa”, tá me dando sopa!
SOPA
O termo de gíria brasileira surgido nos anos 40 do século XX, sopa, significa algo “fácil” pelo fato dessa forma de alimentação ser tida como de fácil ingestão e digestão. Até mesmo quem não tem dentes – como os idosos, ou os bebês, a quem são dadas “sopinhas” – podem se alimentar se sopa. Ao mesmo tempo, a sopa tem fama de leve e reconstituinte, daí ser aconselhada para os enfermos. (vide dar sopa ).
NÃO INVESTIGUE MUITO
Quadrinha do poeta Sá de Miranda (1481-1558), advertindo para os perigos das pesquisas genealógicas. Mesmo em se tratando de endinheirados ou de nobres (infanções), podem surgir descobertas inconvenientes. Como ser filho de padre ou “ter um pé na cozinha”, por exemplo.
É Senhor grande trabalho
Escrever de gerações
Nem todos são Cipiões;
E podem cheirar ao alho
Ricos homens e infanções.
Anos mais tarde, Camilo Castelo Branco observaria: “Razão tinha Sá de Miranda, que era filho do padre Gonçalo de Sá e de uma mulher ordinária de Coimbra”.
FILIAL DE PORTUGAL
Nos primeiros séculos após o Descobrimento (Brasil Colônia), é impossível dissociar o humor brasileiro do humor português. A presença do elemento luso em nosso meio era marcante, e as culturas eram entrelaçadas, com predomínio da lusitana.
Ronald de Carvalho denomina essa época de 1500 a 1750, de “período de formação”, em que era absoluto o predomínio do pensamento português.
Como reconhecia esta quadrinha popular, difundida no Rio de Janeiro na época de D. João VI:
“Que as modas de cá
Vêm de lá
“Menos as modas do Sarará.”