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ORADOR ANIMAL

Numa pequena vila da província, fazia-se uma solenidade para receber a El-rei, a quem toda a câmara municipal e funcionários vieram cumprimentar. O vereador mais velho proferia um longo e monótono discurso laudatório ao monarca, quando um jumento começou a zurrar. O rei então voltando-se muito sério para o lado de onde vinham os zurros do jumento, disse:

– Senhores, fale cada um por sua vez.

TOMA LÁ, DÁ CÁ

Um larápio vendo entrar para o teatro um provinciano, que tinha metido uma caixinha de ouro na algibeira da casaca, seguiu-o com a esperança de lha furtar, e para melhor atingir o seu intento, sentou-se por trás dele. Acabado o primeiro ato, cortou-lhe a aba da casaca onde o outro tinha a caixa; porém tendo-o este percebido, puxou de uma navalha, que casualmente tinha comprado naquela tarde, e tomou tão bem as suas medidas, que cortou uma orelha ao larápio.

Este desandou a gritar:

– Ai a minha orelha! A minha rica orelha!

E o provinciano:

– Ai a minha caixa! A minha rica caixa!

– Tome lá a caixa! – disse então o larápio ao provinciano.

– E tome lá a orelha! –respondeu o outro, atirando-a à cara.

PREVIDENTE

Dizendo-se a um sujeito que corresse imediatamente à sua casa, pois que estava toda a arder, respondeu muito descansado:

– Isso é coisa que não me preocupa, pois trago comigo as chaves.

DOENTE BRINCALÃO

Apresentando-se uma manhã um doutor em casa de um dos seus doentes para o ver, deteve-o o porteiro dizendo-lhe que era inútil subir, visto que o enfermo tinha expirado naquela noite. Ao que o doutor exclamou:

– Pois ele morreu? Grande pândego!


QUE DIREI EU?

Queixando-se um ministro de estado a um de seus primeiros subordinados, de ser ministro havia seis anos, o funcionário respondeu:

– Mais razão tenho eu de queixa, pois há seis anos que não sou ministro.

DISCURSO IDEAL

Um rei passando por uma pequena cidade do interior do seu reino, foi recebido pelo presidente da câmara municipal, o qual oferecendo a El-rei algumas garrafas de vinho e algumas peras, disse-lhe:

– Senhor, oferecemos à vossa majestade o nosso vinho, as nossas peras, e os nossos corações; é o melhor que possuímos.

El-rei, sorrindo, bateu no ombro do presidente, e respondeu, agradecendo:

– Eis os discursos que me agradam – breves!