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NOS MESMOS PÉS
Comentando um velho anúncio nos jornais, de um espetáculo teatral medíocre, de companhia francesa, disse Camilo Castelo Branco: “Eis aqui um cartaz que parece ter sido redigido ontem. É província literária que, há quarenta e três anos, está no mesmo pé, ou nos mesmos quatro pés!”
HÁ POUCO TEMPO
Numa casa de pasto de arrabalde:
– Criado, criado, traga-me a carta.
– Aqui está, senhor.
– Não há mais nada além de pescado e costela de boi?
– Hoje é dia de Ano Novo, e tudo o que havia foi consumido, tudo: o último freguês almoçou pão de anteontem…
– E… quanto tempo terão este pescado e estas costelas?
– Isso eu não posso informar com exatidão; porque não fazem mais de quatro semanas que sirvo nesta casa.
QUASE NÃO MUDOU
Numa reunião falava-se da metempsicose. Um comerciante falido, querendo ser engraçado, disse:
– Recordo-me de ter sido o bezerro de ouro.
– Então a metempsicose não foi completa, retrucou um dos presentes.
– Por quê?
– Por que só perdeste o ouro.
ÓTIMO
Um pobre alfaiate admirava um mural na igreja, representando uma cena do inferno. O cura vendo-o, aproximou-se dele e perguntou-lhe:
– Que tal vos parece o inferno?
– A mim me parece bom, senhor cura, – respondeu ele – pois não vejo ali nenhum alfaiate.
SEPARADOS
Machado de Assis jantava num restaurante do centro da cidade. E ia servindo a sopa que o garçom acabara de trazer-lhe, quando notou que, à tona da gordura, boiava um fio de cabelo loiro.
– Ouça aqui – chamou o romancista.
E assim que o criado voltou:
– Olhe – disse ele mostrando o prato – eu gosto de cabelo loiro e de sopa, mas separados.
JÁ NAQUELE TEMPO
Era tal a ineficiência da polícia de Porto Alegre em reprimir o crime e capturar os bandidos, que a “Gazetinha”, em 1896, publicou uma charge mostrando um guarda municipal que, de olhos vendados, tenta às apalpadelas localizar vários ladrões que estão a sua volta, rindo e zombando.
Abaixo do desenho, o texto:
Pelas últimas notícias
Parece que a moda pega
De gatunos e polícias
Jogarem a cabra-cega.