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ALFABETIZADO?
Um bacharel em direito, muito cheio de si, foi convocado a depor como testemunha num julgamento. Aparecendo na sala de audiência, o bacharel fez uma mesura a todos, respeitoso.
Perguntou-lhe o juiz, com gravidade:
– Seu nome?
– José Trancoso Meneses da Soledade. Um seu humilde criado…
– Queira dizer a sua profissão…
– Eu sou, senhor, um bacharel formado…
– Em paz já vou deixá-lo: sabe ler?
CABO DE ESQUADRA
O cabo de esquadra explicava ao soldado o modo de fazer uma espingarda:
– Arranja-se um buraco – dizia-lhe ele – põe-se-lhe ferro à roda, e prega-se-lhe um cabo. Está pronta a espingarda.
CABO É HOMEM?
Um soldado disputando com um cabo de esquadra lhe disse, entre outros impropérios:
– Cale-se, cale-se, que você não é homem…
O cabo de esquadra tomando o caso em ponto de honra, exigiu uma pronta satisfação; ao que o soldado mui enxuto respondeu:
– Quando na parada o ajudante vai dividindo as guardas, o que diz ele? Para tal guarda seis homens e um cabo; para tal guarda três homens e um cabo, etc., etc. Logo é certo que os cabos não são homens.
PRAGA MAIOR
O conselheiro Ferreira Vianna certa vez estava entretido, percorrendo lombadas de livros, numa estante da livraria Garnier, quando entra um amigo que se acerca e comunica-lhe a morte de Floriano Peixoto:
– Uma novidade – diz ele. – Morreu Floriano!
– De que? – perguntou calmamente o humorista.
– De uma cirrose no fígado.
Houve um pequeno silêncio, compungido. Depois, Ferreira Vianna murmurou, com lástima na voz:
– Pobre cirrose!
PENSE BEM!
Estava o conselheiro Ferreira Vianna em visita à Casa de Correção, quando teve a sua atenção solicitada por um rapaz de maneiras distintas, fisionomia simpática, mas triste, que lhe pedia licença para duas palavras.
– Então, qual o seu crime? –indagou Ferreira Vianna, com o seu ar bonachão.
– Senhor, eu seduzi uma menor.
– A quantos anos de prisão foi condenado?
– A quatro; já aqui estou há dois, e faltam-me ainda dois. Mas eu não estou mais suportando a vida na prisão… Estou mesmo disposto a pedir o meu indulto, e casar-me com a ofendida.
– Casar? Olhe, quer um bom conselho, um conselho de amigo?
E batendo-lhe no ombro, paternal:
– Cumpra o resto da pena…
SEGURO
Durante a revolta da Esquadra em 1893, o governo instalara no morro da Glória um holofote que varria as trevas. Contra ele vomitavam os canhões dos navios e da fortaleza rebelde. Mas, o feixe de luz lá continuava a prestar os seus serviços, porque os tiros e granadas passavam longe do alvo.
Ferreira Vianna por esse tempo morava em pleno bairro da Glória, na trajetória presumível dos disparos. Aos amigos que lhe faziam a assustada advertência, ele respondia tranquilamente:
– Por isso mesmo. Fui morar lá, para estar bem seguro. É o ponto para onde atiram.