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PRIMEIRO…
D. Pedro II encontrava-se em visita à Inglaterra. Em uma festa realizada em sua homenagem, tocava famoso pianista inglês, notoriamente seboso. O príncipe de Gales, futuro Eduardo VII, também presente, manifestou ao barão de Penedo, que acompanhava o Imperador, o desejo de que Pedro II contemplasse o musicista com a ordem da Rosa. O Imperador, pressentido, não resistiu a fazer uma piada:
– Que a Inglaterra lhe dê primeiro a ordem do Banho.
ERRATAS
Quando a Gazeta de Notícias publicava correspondências de Ramalho Ortigão, estampou uma com o título: O Passeante e o Presídio.
Ferreira de Araújo, que estava de cama na ocasião, sentiu arrepiarem-se-lhe os cabelos e mandou uma nota ao secretário que retificasse a epígrafe do artigo, a qual seria: O Passado e o Presente.
No dia seguinte, sofreu o desgosto de ler esta RETIFICAÇÃO: “A carta do nosso ilustre colaborador Ramalho Ortigão, estampada na edição de ontem, saiu, por um erro de revisão, com a epígrafe O Passeante e o Presídio. O título da interessante correspondência é: O Pássaro e o Presunto.
COM PÉ E CABEÇA
Cinco bugres chegados do interior da mata foram trazidos à presença de D. Pedro II. O imperador, com pretensões a poliglota e a conhecer até grego, sânscrito e hebraico; deitou conversa animada no idioma guarani:
– “Ocugelê perereca, pitanga jequitibá, capaíba tiririca, abacaxi araçá!”
Nada. Ficaram na mesma. Nem um sinal se trocou.
– “Pindaíba grumixama, botocava quingambô?” – insistiu o imperador.
Quem disse? A nada atendiam os selvagens. Permaneciam impávidos e mudos.
– “Mindinga maçaranduba, mocaíba corororca!” – insistia Sua Majestade.
Afinal um dos tais bugres rompeu o silêncio, em claro português:
– Com licença… Não percebo. Fale coisa que se entenda.
AZARADINHO
No século XIX as escolas eram freqüentadas quase que só por meninos, e significavam o tormento dos guris.
Um menino de escola encontrou um colega que, havia dias, não aparecia nos bancos, nem chiava na palmatória.
– Fulaninho, – perguntou-lhe – por que você não tem ido à escola?
– Porque a mamãe pariu.
– Pariu macho ou fêmea?
– Pariu macho.
– Coitadinho! Logo vai para a escola…
DE TANTO
Numa quaresma, um pio religioso pregava um sermão que ensaiara, pintando com cores negras os tormentos do inferno. Mas, eis que o padre a certa altura ficou mudo, porque não se lembrou de mais nenhuma palavra do sermão.
Disse um casquilho, que até ali o tinha escutado:
– Coitado! Tanto se meteu no inferno, que até por lá se perdeu.
CADA UM DO SEU
Um escravo comprou um chapéu de seda, bonito e lustroso. Principiando a chover, tirou-o da cabeça e guardou-o debaixo da casaca.
– Por que guardas o chapéu, e levas a chuva na cabeça? – perguntou-lhe um parceiro.
– Porque o chapéu é meu, custou o meu dinheiro, e por isso o guardo bem acondicionado. A cabeça é do meu senhor, e ele que guarde e acondicione seus bens.