Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’
CONTINUA?
Tinha um sujeito um velho conhecido, que vira pela última vez no dia lutuoso em que lhe tinha ido assistir ao enterro do progenitor. Passaram-se anos, e encontrando-o um dia por acaso na rua, depois de efusivos cumprimentos, ia perguntar, amável e distraído:
– E seu pai…
Mas logo, recordando-se repentinamente do infausto sucesso:
– Hum… continua… morto, não é verdade?
AÍ ERA TARDE
Em plena rua, um sujeito em despreocupado bate-papo com um conhecido, pergunta-lhe:
– Quando conheceste a mulher com quem te casaste?
– Quando já não adiantava mais. Foi depois da lua-de-mel que ela quebrou toda a louça e me deu os primeiros tabefes.
CUIDADO!
Um sargento montava guarda num posto e, como tivesse passado a noite anterior na gandaia, caia de sono e precisava muito dormir. Mas morria de medo do tenente, que podia chegar a qualquer momento.
Chamou então um dos recrutas e lhe disse:
– Olhe aqui idiota: fique cuidando, e me desperte assim que vir chegar o tenente! Ouviu?!…
O soldado raso fez continência e ficou à espreita.
Várias vezes, da cama, o sargento perguntou pelo tenente; já que de tão preocupado não conseguia pegar no sono. Finalmente, vencido pelo cansaço, dormiu.
Pouco depois chegou afinal o tenente ao posto e, o recruta acercou-se dele respeitoso, dizendo-lhe:
– Senhor tenente, em bela encrenca o senhor se meteu! O sargento já perguntou pelo senhor umas dez vezes!
SIMPLES!
Numa véspera de Rainha Santa – véspera nublada e sombria – os organizadores das festividades, aflitos, falavam na possibilidade de vir a chuva pela tarde, desmanchando a procissão. Foi quando interveio um sabe-tudo, dizendo ao padre:
– É simples, ora. Se acaso chover à tarde, faz-se sair a procissão pela manhã.
VIDA E SAÚDE
Um homem ilustre mandou construir um jazigo de família. Num dia de folga aproveitou para ir com os seus ao cemitério, verificar a perfeição da obra.
Examinada esta, o homem declarou-se cabalmente satisfeito com o trabalho do pedreiro; e, voltando-se para a família, observou com orgulho de proprietário:
– Pois é verdade, meninos. É aqui que havemos de vir parar – se Deus nos der vida e saúde!
BOIS ELÉTRICOS
No Rio, no início do século XX, falava-se num grupo de homens, dos progressos da locomoção elétrica e das aplicações que para este fim, principalmente na América, se davam à eletricidade.
Acode um dos presentes, homem lido e viajado:
– É tanto, que já nas ruas de New York se encontram carros de bois puxados a eletricidade.