Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’

MACACADA

Havia no estado do Rio uma localidade denominada Macacos, hoje chamada Paracambi.

Nilo Peçanha, então presidente do Estado, visitou esse recanto e lá recebeu estrondosa demonstração de apreço, falando um sujeito que assim começou o discurso, de forma emocionada: “Nós os filhos de Macacos, as mulheres de Macacos…”

POBRE JACINTO!

A velha, que lê o jornal, diz ao marido:

– Ó Procópio!… Morreu a mulher do Jacinto.

– Pobre Jacinto!

– O Jacinto já morreu.

– Pois é por isso mesmo. Vão se encontrar.

CORREIOS

O morador da casa recebe a correspondência das mãos do carteiro e, após examiná-la, exclama:

– Mas… esta carta dá-me notícias de meu irmão!… Assinada por ele!…

E o carteiro:

– Meus parabéns.

– Mas essa cartra está atrasadíssima!  O meu irmão morreu há seis meses!…

E o carteiro:

– Meus pêsames.

QUASE A MESMA COISA

Em encontro na rua, o peralvilho amaneirado, de fraque, bengala e monóculo; diz à senhora sua conhecida:

– Não tive o prazer de vê-la na minha conferência de sábado, sobre a Estética do Flerte.

– Ah! É pena não poder ter ido. Mas, fui ao cinema ver uma fita interessantíssima: Manias de um Toleirão.

BESTEIROL

Aparício Torelly, quando jovem, certa vez visitava a cidade de Bagé. Caminhava pela rua central, acompanhado de um amigo que era morador local. E perguntava a ele respeito das pessoas que lhe chamavam a atenção:

– Quem é aquela feiosa que vai ali?

– Qual? Aquela? Tem quatro léguas de campo…

– Mas que riquinha!…

– E estas duas, quem são?

– A de fora é daqui da cidade, a de dentro é de fora…

-Ah!…

– Quem é esse cavalheiro?

– Fazendeiro.

– Tem muito campo, muito gado?

– Não. É vendedor ambulante de fazendas.

ERA O MÁXIMO

Um jovem advogado amigo de Álvaro Moreira estreou no júri, defendendo um assassino que não tinha defensor. Acusou o promotor. Rebateu o advogado com veemência na defesa do réu.

Os jurados foram decidir e condenaram o réu a trinta anos de prisão. Deixando o tribunal, o jovem defensor dizia, indignado, a Álvaro que o acompanhava:

– Trinta anos! Trinta anos! Com uma defesa daquelas!…

– É , mas que é que você quer? – respondeu Álvaro. – Não há pena maior…