Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’

TRAU

Um cavalheiro erudito, mal restabelecido dos ferimentos produzidos por uma queda de um cavalo, não querendo faltar a certa reunião social na casa de amigos, apareceu na sala coxeando e apoiado a uma bengala:

– Que tem, Doutor? – perguntou com amável interesse uma dama a quem o cavalheiro cumprimentara gentilmente – É reumatismo?

– Trau, minha senhora, trau – informa ele.

A dama, intrigada:

– Trau? Perguntei se o que sofre é reumatismo.

– Pois é por isso – replicou ele – Trau, minha senhora, traumatismo.

FOI DIFERENTE

Um dia antes da boda, a noiva está muito triste, à idéia de separar-se de seus pais. A mamã diz-lhe:

– Vamos. Não sejas tola. Depressa te acostumarás à vida conjugal. Comigo aconteceu o mesmo.

– Sim. Mas, é que tu te casaste com papai, e eu caso-me com um homem que nem sequer é da família.

ÚLTIMO SUSPIRO

Um homem possuía, há anos, um cavalo em que costumava passear. Certa tarde, tendo saído montado, apareceu inesperadamente em casa, cheio de comoção e com lágrimas nos olhos.

– Que tem? – perguntaram-lhe.

– Uma grande desgraça!

– Mas que foi?

– O cavalo, coitado, que morreu…

– Como, como foi isso?

– Não sei – balbuciou ele, cada vez mais perturbado. – Íamos ali adiante… De repente o pobre animal empina-se, cai… Numa tremura ficou ali: “Ai Jesus! Ai Jesus! Ai Jesus”. E morreu.

MAGNATA

Logo depois de terem inaugurado na cidade umas linhas de bondes puxados a burros, conversavam num café certos acionistas da companhia, das irregularidades do começo, da freqüência dos descarrilamentos, da morosidade das viagens.

– É uma pena – dizia-se – que não se evitem tais inconvenientes e não se monte um serviço à altura…

– Isso, meus caros, desenganem-se – acudiu o mais ilustre deles – isso lá, enquanto eu não me puser à frente dos bondes, não entra esta coisa nos eixos!

ISSO SIM

O psiquiatra José Carlos Ferreira, por volta de 1910, encontrava-se certo dia no último andar de um manicômio em Porto Alegre, quando um louco repentinamente segurou-o, ameaçando jogá-lo lá embaixo.

Sozinho e indefeso, porém imperturbável, o médico disse ao agressor, desconcertando-o:

– Isso não é vantagem nenhuma. Eu quero ver é tu me atirares lá de baixo, aqui para cima.

ESQUECI

Conversa entre dois amigos:

– Que tem você rapaz?

– Há um mês, eu disse uma coisa à minha mulher e ela ficou sem falar-me uma semana.

– E que disseste?

– É justamente isso que não me lembro. E o pior é que estava precisando dizer-lhe outra vez…