Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’

FILHO EXEMPLAR

Durante uma viagem de trem, dois sujeitos que haviam se conhecido ali mesmo, falavam de seus respectivos filhos. Depois de o primeiro ter se queixado de que o seu era um estouvado, o outro disse:

– Pois o meu é um exemplo de filho!  

– Ah é?

– Imagine o senhor que ele não tem vício nenhum. Não bebe, não joga, não fuma, não passa as noites na farra… nada!

– O quê? Então ele não é como a maioria dos jovens de hoje, que só pensam só em bailes e em namoricos?…

– Não, senhor! O senhor não queira saber como é esse menino; dá seis hora e ele já está dormindo.

– Me diga uma coisa, meu amigo: e que idade tem o seu filho?

– Este mês ele vai fazer seis meses…  

PARA MANTER A TRADIÇÃO

Quando o velho agricultor morreu, os seus três filhos tiveram que entrar em acordo para divisão da herança.

A casinhola ficou para o irmão mais velho, e a terra foi dividida em três partes mais ou menos iguais. Os móveis e os bens pessoais do velho também foram divididos em três partes.

Restava o burro.

– O burro, eu o compro, – declarou o irmão mais velho, prevenindo qualquer discussão. – Enquanto nosso pai viveu, houve sempre um burro nesta casa. Eu quero continuar a tradição: enquanto eu viver esta casa sempre há de ter um burro!

E AGORA?

O sargento Paulino era ridiculamente vaidoso, não gostava de ser confundido com o vulgo. Fora-lhe entregue, para instrução, uma turma de novos recrutas, e ele, orgulhoso como que, implicou com um pobre diabo, ali enfileirado, com seus óculos de aros de metal branco.

– Por que usa óculos?

– Por ser míope, seu sargento.

– Bonito! – considerou o Paulino – E eu, que sou graduado, que sou seu superior, quando me diminuir a vista, que hei de usar? Um telescópio?

DESTA VEZ…

Cornélio Pires candidatou-se a uma cadeira na Academia Paulista de Letras, mas perdeu para outro candidato, de mérito literário discutível.

Às vésperas de submeter sua candidatura novamente, tempos depois, o caricaturista Voltolino publicou no jornal humorístico, O Pirralho, um desenho de Cornélio dizendo a um burro:

Num vê que eu sô mais troixa: agora eu vou a pé, porque outra vez o cavalo entrou e eu fui barrado.

DE QUEM?

Um português visitava a casa de um general de divisão, quando viu uma gentil filha deste, que tomando na mão uma ave exótica, a entregava com estas palavras à irmã:

– Aqui tens a cacatua. Encontrei-a solta, e podia ter fugido se eu não chegasse no momento.

E o lusitano para a segunda senhora:

– É com efeito bonita a caca-sua.

Caca-sua ?! – exclamou a dama com espanto.

– Como ouvi a mana de V. Exª dizer cacatua, julguei que realmente a caca fosse de V. Exª.

SÓ MEIO

Uma mulher visitava um professor universitário de Coimbra. No decurso da conversa, ela perguntou-lhe:

– Em Coimbra, nas férias, o movimento é incomparavelmente menor?

– Evidentemente – confirmou o mestre – Veja V. Exª isto: quando estão os rapazes, abatem-se quotidianamente, pelo menos, dois bois; em férias, apenas para o consumo da cidade – basta matar meio boi…