Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’
COMO PODIA SABER?
O mendigo intercepta o granfino, à porta do restaurante:
– Tenha compaixão de um pobre cego carregado de família!
– Quantos filhos tem você? – pergunta o granfino.
– Não sei dizer. Sou cego…
SÓ UM RECADINHO
O Dr. Silveira estava uma manhã deitado, dormindo ainda, ao lado da esposa, já acordada. Ora, no seu sono, ele se põe a pronunciar um nome: “Zazá!! Zazá!…” A esposa acorda-o vivamente, e pergunta-lhe com ar severo:
– Quem é essa Zazá?
– Zazá? Zazá?? Ah, é o cavalo em que eu joguei nas ontem nas corridas.
No dia seguinte, o Dr. Silveira partia em viagem de negócios. À sua volta, perguntou à esposa o que se tinha passado durante a ausência.
– Oh, nada – respondeu ela. – Sim! Ia me esquecendo: o teu cavalo telefonou para aqui.
GULOSO
Uma mulher é acusada de ter envenenado o marido com arsênico.
Diz-lhe o juiz:
– Resulta da autópsia, que o corpo de seu marido continha uma porção de arsênico capaz de matar um cavalo!
– Pobre homem! – responde a ré imperturbável. – Se ele foi sempre um grande comilão!…
ELEIÇÃO NO NORDESTE
Chico Heráclito foi o mais famoso coronel do Nordeste. Quem mandava na região de Limoeiro era ele – ou obedecia ou morria. Quando apoiava um candidato, reunia o povo humilde e entregava a cada um a cédula já marcada e dobrada, que ninguém abria. Era só jogar na urna, e depois voltar para comer – o preço do voto. Mesa grande e fartíssima.
Um dia, um eleitor mais ousado arriscou:
– Coronel, e já fiz o que o senhor mandou, já votei. Fiz tudo direitinho. Só queria lhe perguntar uma coisa: em quem foi que eu votei?
– Você está louco, meu filho? Vou até fazer de conta que não ouvi; isso até é crime! Você não sabe que o voto é secreto?!
PALPITE PÓSTUMO
Quando José do Patrocínio, o “Tigre da Abolição”, morreu, em 1905, fizeram-lhe um enterro de herói, grande cortejo, discursos enormes. Acabada a cerimônia, o poeta Guimarães Passos, amigo particular e companheiro de boemia do falecido, pediu para Olegário Mariano acompanhá-lo ao cemitério: pôs-se de joelhos, fez chorosas exclamações, escreveu no punho o número da sepultura, levantou-se aflito, saiu correndo:
– Vamos! Vamos!
Foi jogar no bicho correspondente aos algarismos que marcavam a última morada do “Zé do Pato”. E ganhou!…
JOGO DE CORPO
O eleitor chegou, aflito, e disse a José Maria Alkmin, o político mais ladino e escorregadio que já houve:
– Doutor Alkmin, meu filho nasceu, eu estava desprevenido e não tenho dinmheiro para pagar o hospital!
– Meu caro, se você, que sabia há nove meses, estava desprevinido, calcule eu que só soube agora…