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FALAVA A VERDADE
Sendo preso e acusado um homem de gatuno, disse ao ministro que ele era um homem de bom proceder, porque sempre se recolhia com as galinhas. E tantas vezes repetiu isto mesmo, que o ministro passando a maiores indagações veio a conhecer que o homem não faltava à verdade; com efeito, se recolhia com as galinhas, mas era com as que ele roubava.
DEPENDE…
Um cavalheiro, necessitando de dinheiro, resolveu vender o seu cavalo. Assim, procurou um mercador, que possuía centenas de eqüinos no seu curral.
Antes de fazer qualquer oferta, entretanto, o comerciante pediu que o seu filho, um meninote de uns doze anos, o experimentasse. O rapaz cavalgou o animal de um lado para outro, sob os olhares atentos dos dois homens: a trote, a galope, a passeio, etc. Ao retornar para onde vendedor e comprador aguardavam o resultado da avaliação, o mercador perguntou ao menino:
– E então, meu filho, que te pareceu o animal?
Este, um pouco constrangido, então disse ao pai:
– Senhor meu pai, eu antes vos preciso fazer uma pergunta: este cavalo nós estamos vendendo, ou nós estamos comprando?…
RESPOSTA
Uma tarde, num julgamento em que ele era advogado, Afonso Costa tentou brincar com uma testemunha, por sinal um cônego piadista que não tinha papas na língua. Esgrimiram os dois com ironias várias, até que Afonso Costa, pretendendo embaraçá-lo, lhe disse a sorrir:
– A testemunha tem a habilidade de bater uma no cravo outra na ferradura…
Resposta imediata do cônego:
– É que o Sr. doutor não fica com o pé quieto…
Afonso Costa teve que rir, e o tribunal caiu na gargalhada.
CUIDADO!
Do lendário e folclórico advogado, poeta e boêmio cearense, Quintino Cunha, sobre quem muito já foi escrito, contavam-se infindáveis anedotas:
Num júri, o advogado de uma parte contrária procurou contestar Quintino Cunha com este argumento:
– Dr. Quintino, estou citando a lei! Estou montado no Código Civil!
E Quintino:
– Cuidado! Sempre ouvi dizer que não se deve montar num animal que não se conhece!…
SOPORÍFERO
Numa audiência em Fortaleza, um famoso hipnotizador era acusado de furto. A certa altura, disse este em sua defesa:
– Se eu quisesse podia fazer todos aqui dormirem!
Quintino Cunha, que acompanhava a audiência, interveio:
– Não é preciso, deixe isso a cargo do seu advogado!
OUTRA COISA
Quintino Cunha fazia uma viagem de trem para Canús, mas no meio do caminho fez uma parada em Iguatú. Era o dia da inauguração do novo prédio do Foro. Alguns colegas, ao encontrarem Quintino na estação, convidaram-no para participar da solenidade.
Mal humorado, Quintino perguntou:
– Quem é o juiz?
– É o Doutor Fulano.
– Esse é burro! O promotor?
– Sicrano.
– Grande cavalgadura! E o advogado?
– Beltrano.
Desdenhoso, Quintino torceu o nariz e resmungou:
– Isso não é um Foro, é um desaforo!