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DESCRIÇÃO PRECISA
Quando se inventou a máquina de escrever, um curioso foi ter a um deputado nortista que recém viera da Europa, e indagou dele como era a tal máquina.
O deputado concentrou-e, pigarreou, cuspiu, tossiu, assuou-se e, sem quebrar a linha, falou:
– O curioso amigo conhece a máquina de costura?
– Conheço – respondeu o outro
– Digo, dessas “Singer”…
– Conheço, conheço!
– Mas não é das de mão, não; é das de pé.
– Conheço.
– Pois olhe: a máquina de escrever é totalmente diferente!…
SORTUDO
Dois elegantes, de chapéu alto, fraque e bengala, passeiam num parque. Diz um deles referindo-se à uma bela dama que segue um pouco adiante:
– Aquela é a rapariga por quem o Lima e o Neves se bateram.
– Ah! Sim? E quem foi o feliz mortal?
– Foi o Lima… ela casou com o Neves.
MADRUGARAM
Encontrando-se um sujeito com uns ladrões pelas três horas da manhã num caminho no campo, lhe disseram eles depois de o roubarem: “É bem feito para não vir a estas horas por este lugar!”
Respondeu-lhes o miserável:
– Eu não cuidei que vossas mercês abrissem a loja tão cedo.
POUCA BESTA
Dizendo certos amigos a um cavalheiro, que não fazia bem em sair quase sempre em sua sege a rédeas, podendo sair com boleeiro, respondeu ele:
– De ordinário, quando eu saio, é uma besta só; e quando vai comigo minha mulher, é que são duas bestas.
OLHA A LÍNGUA!
Andava uma menina de oito anos a divertir-se em sua casa, pelo entrudo, em pregar rabos de papel nas pessoas, dando por fim, muito contente, uma surriada: “Rabo-leva! Rabo-leva!”
Acudiu logo a mãe ensinando-lhe política por este modo:
– Não fale em rabo, menina; não diga rabo-leva, diga traseiro-leva.
RIO MAL COLOCADO
Indo um bêbedo por um caminho que costeava um córrego, e caindo na água, tanto que se sentiu molhado, exclamou:
– É boa asneira meterem o rio cá para o meio da estrada!