Arquivo por autor

DELÍCIA

Um brasileiro, na China, entrou num restaurante para almoçar. Serviram-lhe um prato de carne que ele achou delicioso. Como não sabia falar chinês, desejando saber se era carneiro o que ele comia, dirigiu-se ao criado fazendo:

– Mé? mé? mé?

O sorridente chinês abanou a cabeça, e corrigiu:

– Au! au! au!

PROMOÇÕES

A empregada diz à patroa, enquanto lava a louça:

 – O meu noivo, o sargento…

E a senhora, admirada:

– O quê! Sargento? Tem subido depressa! Há seis meses ainda era soldado raso, há três era cabo, e agora já é sargento!

– Ai! É que não é o mesmo! É sempre outro!

QUALQUER OUTRA

No café, o freguês chama o garçom, e apontando para uma xícara que este acaba de lhe servir, ordena:

– Ouça lá: se isto é café, traga-me chá; e se é chá, traga-me café!

DO VELHO BORGES

Borges de Medeiros foi presidente (como chamavam os governadores na época) do estado do Rio Grande do Sul por muitos anos. Despótico, ditatorial, granjeou inúmeros inimigos políticos. Mas nunca ninguém pode questionar sua austeridade e honestidade absolutas. De certa feita, uma delegação de deputados foi falar com ele:

– Dr. Borges, nós viemos perguntar o senhor se nós podemos votar um reajuste em nossos vencimentos. O senhor sabe; o custo de vida, tudo sobe…

– Poder, vossas excelências podem…

Sorrisos estampados na cara dos deputados. Até que Borges concluiu:

– … mas eu não recomendo!

Fim de conversa: “Muito obrigado, presidente. Bom dia. Até logo”. Não votaram aumento algum, claro…


 Em certa ocasião, um intendente do interior lhe apresentou uma objeção:

– Mas presidente, eu penso que…

– Você pensa que pensa, mas quem pensa sou eu e você executa – respondeu Borges…

IRREVERÊNCIA

Os cariocas, com sua conhecida verve, desde o início da República sempre trataram os presidentes com irreverência, colocando-lhes apelidos e inventando anedotas por eles protagonizadas.

Epitácio Pessoa, com cara de roceiro, era o Tio Pita; seu sucessor, Arthur Bernardes, muito claro e de cabelos brancos, era o Rolinha, mas também era Seu Mé, por ser bom amigo da garrafa; Nilo Peçanha, avermelhado, era o Peru; Campos Sales, a vaidade em pessoa, era o Pavão…

PRESIDENTE BIRIVA

Prudente de Morais recebeu o apelido de Biriba (Cornélio Pires, dizia ser Biriva). Embora haja divergências sobre a origem desse apelido, ambas as explicações são divertidas: Francisco de Assis Barbosa dizia que era assim que os cariocas chamavam os matutos paulistas; já Raimundo Magalhães Júnior dizia que esse era o nome de um macaco barbudo do zoológico do Barão de Drummond (o criador do jogo do bicho), – que era a cara do presidente!