Arquivo por autor

INTELECTUAL

O Marechal Hermes da Fonseca tinha vários apelidos jocosos: Dudu, Urucubaca, Corta-jaca, Cheirosa Criatura (diziam que fedia). A freqüência das anedotas sobre ele era tanta que a revista “Careta” tinha até uma seção chamada “A última do Marechal”. Tinha fama de burro. Certa vez foi à inauguração de uma biblioteca pública e deixou registrado no livro de visitas: “Gostei muinto da biblhoteca.

DESASTRE

Wenceslau Braz era acusado de indecisão crônica. Uma anedota popular na época dizia que Sua Exª mandara construir uma casa, gastando meses na elaboração da planta. Quando a obra estava a ser terminada, ele foi visitá-la, quando iam iniciar a construção das privadas. O Presidente chamou o construtor e determinou:

– Olha: em vez de uma privada neste canto e outra naquele, faça as duas encostadas uma à outra.

– Sim, senhor – respondeu o homem, abrindo e emendando a planta.

Sua Exª andou pensativo de um lado para o outro, uns minutos, e tomou nova resolução:

– Olha: Em vez de ficarem as duas juntas daquele lado, é melhor que fiquem deste.

– Sim, senhor – respondeu o homem, e novamente emendou a planta.

Sua Exª ficou algum tempo vistoriando a casa toda e, antes de partir, mudou ainda mais duas vezes de decisão a respeito das privadas: “Olha: em vez de duas privadas, faça uma só… mas não no canto, no centro”. Minutos depois: “Olha… pensei melhor… Faça duas privadas como estava na planta”.

Finalmente, quando a obra ficou pronta, o Presidente estranhou:

– Mas que é isto? O Sr só fez uma privada, quando lhe recomendei que fizesse duas!

E o construtor, embaraçado:

– É verdade, senhor Doutor… Queira desculpar-me… Mas eu refleti: se eu fizer duas privadas… Sua Exª chega… Vê duas portas… Fica na dúvida… Vacila… Não sabe de qual há de servir-se… E será um desastre!

FUNCIONÁRIO DO BARÃO

Aparício Torelly, o “Barão de Itararé”, transformou o então presidente Washington Luís em redator-chefe de A Manha, onde aparecia em todos os números assinando longos bestialógicos (era o Vaz Antão Luís, “nosso companheiro que acumula as funções de presidente da república”).

MAIS AINDA?

Getúlio Vargas estava certa vez em seu gabinete, no Catete, quando entrou seu secretário para anunciar:

– Dr. Getúlio, o representante do funcionalismo público em greve, está aí fora.

– Que quer esse sujeito? Atenda-o e resolva o caso.

– Já fiz o que pude. O homem diz que tem audiência marcada e o assunto que o traz é grave e urgente: Quer saber sua resposta sobre o aumento dos salários.

– Chega! Já aumentei a carne, o pão, os ônibus, as barcas, os bondes, o açúcar, a manteiga, o café, e esse sujeito tem a coragem de vir falar em aumento?

SERÁ?

Getúlio vai consultar uma cartomante para ver o que prevêem as cartas sobre o próximo ocupante do Catete.

A Cartomante: – As cartas dizem que o futuro presidente será um militar.

Getúlio: – Um militar?!

A Cartomante: – Sim, um militar cheio de corpo…

Getúlio: – Será que eu fui convocado?

GETULIANA

Em certos dias concedia audiências ao povo. Um desses dias, quando dona Darcy Vargas estava presente, ele foi solicitado a arbitrar uma desavença entre um padeiro e um açougueiro.

Enquanto o açougueiro aguardava na ante-sala, entrou o padeiro e expôs a sua versão. Getúlio o ouviu em silêncio, tirando baforadas do seu indefectível charuto, e ao final disse ao homem:

– O senhor tem razão!

O padeiro saiu louco de alegria, e minutos depois quem entrava era o açougueiro. Getúlio escutou calmamente tudo o que o homem tinha a dizer, refletiu um pouco, depois sentenciou:

– O senhor tem razão!

O açougueiro, assim como acontecera antes com o outro, deixou o gabinete feliz da vida.

Mas, a esposa de Getúlio, dona Darcy, estarrecida com tudo aquilo, protestou:

– Getúlio, não está correto o que você acabou de fazer! Como você foi dar razão a ambos os antagonistas? Isso não se faz!…

Getúlio ouviu imperturbável. Depois respondeu:

– Darcy, você tem razão!