Arquivo por autor
CACHACEIRO
Getúlio Vargas, para atestar seu espírito popular, mandara chamar ao Catete para barbeá-lo, um humilde barbeiro de arrabalde. O pobre homem tremia tanto pela responsabilidade de afeitar o ditador, que a navalha escorregou, provocando um pequeno corte no rosto do Getúlio.
Vendo o terror que o acidente causara ao homem, Getúlio, bonacheirão, fez piada para tranqüilizá-lo:
– Ah, não foi nada… Isso é conseqüência da cachaça!
Ao que o homem gaguejou:
– Sim, senhor… Deixa a barba mais dura, não é?
POLIGLOTA
O presidente Dutra não era considerado muito brilhante – ao menos na visão dos seus adversários políticos.
Dizia-se que, quando o presidente americano Harry Truman veio ao Brasil, aproximou-se, sorridente, de mão estendida, saudando-o:
– How Du you Du, Dutra?!
Na ponta do tapete vermelho, o roliço e simpático Dutra, sacudiu-lhe a mão, e respondeu:
– How Tu you Tu, Truman?!
CÍCERO
O presidente Dutra tinha fama de mau orador. Era incapaz de improvisar com facilidade, e dificilmente se ouvia um discurso seu, a não ser em grandes solenidades.
E foi notável a crítica que fez, na Rádio Nacional, a esse respeito, o humorista Silvino Neto. Num de seus programas, o criador de “Pimpinela” anunciou:
– A gora vai falar o presidente Dutra.
Passou alguns minutos em silêncio e exclamou:
– Acabaram de ouvir um discurso do presidente Dutra!
PRES. ARTUR BERNARDES
Nos últimos dias de sua vida, quando a fraqueza e a dispnéia lhe tornavam ensombreadas e ásperas as horas, Martim Francisco respondeu a um amigo que lhe perguntava como se sentia:
– Daqui para cima (e fez um gesto do queixo à cabeça) muito bem. Mas o resto, muito Artur Bernardes…
POLÍCIA SECRETA
A antipatia sentida pelo ditador português Oliveira Salazar, somada à injusta fama de burro que gozam os lusitanos no Brasil, fez com que a irreverência carioca criasse uma famosa milícia salazariana, fardada, com um escudo no peito onde se lia: “Polícia Secreta”.
QUARDA COMIDAS
Em 1920, quando, com o fim de moralizar as praias cariocas, a polícia nomeou guardas especialmente escolhidos para proteger as “ousadas” banhistas, que se aventuravam a mostrar os tornozelos e os antebraços em público, os cariocas logo os batizaram como guarda-comidas…