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INCURÁVEL

Um sujeito muito cacete, certa vez, foi a um médico:

– Doutor, vim me consultar com o senhor porque dei para falar sozinho.

– Ora, meu caro! Isto não é doença; é preocupação. Qualquer um pode falar sozinho, quando tem problemas para resolver, quando está cansado mentalmente. Isto não é nada!

– O senhor diz que não é nada, porque não sabe como eu sou chato!

ORA PÍLULAS!

Um médico foi chamado para atender a um doente no campo. Prevenido da moléstia, levou consigo umas pílulas que deviam fazer bem ao paciente. Confirmado o diagnóstico, o médico entregou o remédio à esposa do homem, e disse-lhe:

– Isto não é nada. Dê-lhe uma dessas pílulas de hora em hora. Amanhã, estará bom.

– Mas, – disse a mulher, aflita e constrangida – é que não tenho relógio…

– E não tem um galo?

– Um galo?… Tenho sim, senhor.

– Então está servida: cada vez quer o galo cantar, dê-lhe uma pílula.

E saiu, prometendo retornar no dia seguinte. Ao retornar, o médico, encontrando a esposa do camponês de fisionomia prazenteira, indagou:

– Então, como vai o nosso homem?

– Muito bem, senhor doutor; mas o galo morreu.

– O galo morreu?! Mas, o que tem o galo com o remédio?

– Ora essa! Pois o senhor não me disse que cada vez que ele cantasse, lhe desse uma pílula? Foi o que eu fiz e, logo à terceira, foi-se.

CARTA DE GUIA DE CASADOS

Entre janeiro e março de 1650, D. Francisco Manuel de Mello escreveu a A Carta de Guia de Casados, a pedido de um noivo pertencente à fidalguia. E para matar o tédio durante os dois meses em que esteve preso na Torre Velha.

A obra emite conceitos tão esdrúxulos e preconceituosos, que nos dias de hoje só pode ser lida por curiosidade ou por brincadeira. O texto trata duma série de questões matrimoniais, (exclusivamente na visão do marido!), destinadas àqueles que se dispunham a enfrentar as vicissitudes do matrimônio.

Nela, D. Francisco, estribado na sua experiência mundana (era solteiro e conquistador!), dá conselhos vários; desde o governo econômico da casa, o trato com os criados, até o controle da mulher – a quem ele atribui a responsabilidade única pelos dissabores e desarmonias conjugais. Quanto aos maridos (pobres vítimas): nenhum reparo a fazer!

Segundo ele, à mulher cabe uma função totalmente subalterna à do marido, e num âmbito restrito às quatro paredes da casa. A seu ver, para ser feliz a mulher deveria ser anafalbeta e submissa!…

PÁRA-QUEDISTA

A expressão de gíria designa o funcionário que – nas atividades mais pacatas e terrestres -,  entra na empresa ou órgão público já sendo “chefe”; driblando os trâmites regulamentares exigido do resto dos mortais: concurso público, fase probatória, experiência, tempo de serviço, etc.

Na estrutura burocrática oficial do tempo do Império, os funcionários faziam carreira, e a conquista de um cargo de chefia implicava em ter labutado antes longos anos nos escalões inferiores.

Artur Azevedo, por exemplo, embora já ilustre teatrólogo, jornalista e escritor;  só foi promovido a chefe de sua seção (um posto modesto, até então exercido por Machado de Assis), após ter passado mais de trinta anos como amanuense. Tanto que a promoção foi-lhe de breve valia: Azevedo veio a falecer uma semana após sua nomeação!

Com o advento da República, porém, tudo mudou: para ser chefe bastava ser militar, ou  ter boas relações nas oligarquias dominantes. De uma hora para a outra, um indivíduo, totalmente alheio ao serviço público, já entrava neste como “chefe”.

Como por volta de 1900, fossem muito comuns no Rio os espetáculos de pára-quedistas europeus, que jogavam-se de balões (um dos muito modismos da época no campo das diversões, como as “mágicas” teatrais e ou as touradas), alguém, provavelmente um colega preterido em suas aspirações, lembrou-se de fazer a analogia.

COM AS MULHERES: RÉDEAS CURTAS!

Na Carta de Guia de Casados, o bom D. Francisco classifica todas as esposas nas seguintes categorias, incluindo recomendações aos maridos das mesmas:

 – Brabas: as que mais dão trabalho ao marido para corrigir. “É de se  lamentar o fato de o castigo e a violência serem hoje, algumas vezes, mal vistos na gente de grande qualidade;

 – Feias: O remédio é simples: A feia é pena ordinária, porém que muitas vezes ao dia se pode aliviar, tantas quantas seu marido sair de sua presença, ou ela da do marido”;

– Néscias: A burrice natural na mulher é coisa pesada, mas não insuportável. Procure o marido emprestar de seu juízo, aquela discrição que vir que a ela falta. Mas, se o marido também for tolo, a mulher néscia não lhe causará prejuízo.

– Doentes – O marido deve ter paciência e tratar da mulher doente, (…) pois favor foi grande de Deus padecesse antes aquela parte que menos falta faria à família.

– Proluxíssimas : Para as geniosas, a solução é fácil: Convém que estas tais se lhes aperte o freio, e lhes dêem pouca mão no governo da casa. As geniosas causam problemas com os criados, e o marido terá que fazer a escolha:  a mulher ou os criados?

– Ciosas: O autor recomenda que os maridos sejam discretos nos suas escapadas, e não dêem razões para os ciúmes das suas caras-metades;

– Gastadoras: Deve uma mulher honrada tratar o dinheiro com aquele mesmo temor que ao ferro e ao fogo!  Pois por ali logo se vai ao fundo a família inteira. O recomendável é que a esposa não lide com dinheiro nunca.

– Apetitosas: Calma. São apenas as que hoje chamamos gulosas. E que por um bom petisco venderão o próprio marido. Regime alimentar nelas!

– Voluntariosa: Faça-se-lhes compreender que à sua conta não está o entender, senão o obedecer (…) – Curto e grosso.

– Ligeiras: Por este nome entende D. Francisco as “fáceis”, as excessivamente “gentís” com homens que não o marido, o pai, os irmãos e ou o padre. Observando: (…) porque não acho nome decente. Estas exigem do marido vigilância contínua! Dormir sempre com um olho aberto, é o ele recomenda.

– Formosas: Segundo o autor, as piores! Pois (…) saiba que tem perigosa mercadoria. E, por esta razão não faltou já quem duvidasse se a formosura se dava por prêmio, se por castigo. De qualquer forma: olho vivo e disciplina!

EM HEIDELBERG

Um alemão, professor de química, discorrendo sobre as muitas propriedades da água, declarou aos seus alunos pasmados:

– Existem povos bárbaros que até mesmo “bebem” esse protóxido de hidrogênio!