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SÓ UMA VEZ

Diálogo entre duas amigas:

– Alguma vez apanhaste o teu marido flertando?

– Só uma: foi na véspera do nosso casamento.

EM OBRAS

O homem tendo ido em férias para a Itália, certo dia topou com um amigo em Roma, que conhecia a cidade como a palma de sua mão, e que o levou a visitar os locais mais interessantes.

– Aqui tem você – diz o cicerone em certa altura – as ruínas do circo romano.

O visitante detém-se, contempla os maravilhosos restos, e exclama pasmado:

– Sim senhor! Depois de pronto, vai ficar um grande edifício!

PRONÚNCIA CORRETA

Um acadêmico de português, muito pernóstico e pretensioso, chegou a um guichê da estrada de ferro em Lisboa, e pediu:

– Uma passagem de primeira para Regüengos.

Reguengos – emendou o bilheteiro.

– Senhor empregado, eu sou mestre e sei muito bem o que digo: Regüengos…

– Ah! se é Regüengos…, então cagüei!

SALVAÇÃO DA MEDICINA

– Não há doenças, há doentes! – prelecionou o brilhante professor, numa sessão da Academia.

– Ainda bem! – disse ao ouvido do vizinho um velho clínico da escola antiga – Se assim não fosse, quem nos pagaria os honorários?

COMO UM PACIENTE

Dois médicos conversam. Diz um:

– Estás doente? Que tens?

– Um catarro feroz, que não posso curar!…

– Deveras?

– Sim. Passo o dia inteiro a tossir como um cliente…

QUE AZAR!

Um velho hipocondríaco, que, cria sofrer de todas as enfermidades existentes; passava os dias às voltas com tisanas, escalda-pés, sangrias e emplastros; e toda vez que via passar um enterro, ordenava ao criado:

– Corre João, corre à igreja e indaga qual foi a causa que fez defunto, esse que vai ser encomendado.

Quando ficava sabendo de que morrera o infeliz, tomava-se de terror, e passava a sentir os sintomas típicos dessa doença.

Um dia, em que o sineiro, em toques funerários, anunciava que outro ser humano tinha passado desta para melhor; o velho, a rezar e a tremer, esperava ansioso o regresso do emissário.

– Foi uma mulher que arrebentou de parto, meu amo – informou-lhe o criado. – Três filhos que não vingaram!

E o velho então, encheu-se de preocupação e de desânimo:

– Veja só que maçada! Que trabalheira! Que vexame!… Eu, na minha idade, tendo que fazer força para dar a luz!