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MARICOTA CORNETA

D. Pedro I sentia especial prazer em amigar-se com tipos acanalhados e freqüentar ambientes de baixíssimo nível. Francisco Gomes da Silva, por antonomásia “O Chalaça”-  boêmio, ignorante e arruaceiro – era seu homem de confiança e melhor amigo. E conheceram-se na taberna de certa Maria Pulquéria – apelidada Maricota Corneta, por ser viúva de um corneteiro, e anunciar as refeições com a corneta deixada pelo falecido.

SÓ UM AGRADO

                        De Curvo Semdo:

                      – Minha mulher expirou!

                        E a doce tranqüilidade sobre a minha alma baixou!

                       – Pois não lhe tinha amizade?

                       – Só uma vez me agradou.

                       – E quando foi? – Quando passou

                         Desta vida à eternidade.

                        – E por quê? – Porque foi só

                         No que me fez a vontade.

É DIFERENTE

Um camponês surpreendeu a sua filha, jovem alta e robusta, atrás de um monte de feno, aos beijos com um mirrado estudante de teologia. À aproximação do furioso pai, o estudante escapuliu, e a moça disse que tinha sido beijada à força.

– Mas, como foi – perguntou-lhe o camponês – que tu, acostumada às mais árduas tarefas, não tiveste forças para defender-te daquele raquítico?!…

– Ah, meu pai – respondeu ela. – É que eu tenho muita força quando estou brava; mas nenhuma quando estou me rindo!

TEMPORÁRIO

A mocinha, prestes a casar, corre a consultar uma cartomante. Esta deita as cartas, bserva-as concentradamente e depois diz:

– Vejo aqui que até os 35 anos será infeliz com seu marido.

– Oh!… E depois?

– Depois… Ficará acostumada.

CULTURA GERAL

Do Barão de Itararé:

Qual a diferença que existe entre um camelo e um “pau d’água”?

– O camelo é capaz de trabalhar oito dias sem beber… – E o “pau d’água” é capaz de beber oito dias sem trabalhar…

DRAMA DA PAIXÃO

O drama sacro “O Mártir do Calvário”, depois de suas cento e tantas representações consecutivas no Teatro Recreio desde 1902, pela Companhia Dias Braga, enriqueceu de maneira espantosa o anedotário dos bastidores.

Na cena da Santa Ceia, como é natural, tudo é trabalho do aderecista, tudo é de papelão: os copos, as jarras, a comida, os pratos…

Certa vez, quando o ator que fazia o papel de Jesus, disse aos discípulos: “prá mesa”, um dos apóstolos chegando ao lugar que lhe era destinado, e vendo que o seu prato estava furado, falou  para o apóstolo que lhe sentava ao lado:

– Rapaz, se vier sopa eu estou roubado!…