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CALMA FILHOS…

Numa representação do “Mártir do Calvário”, o ator Armando Rosas fazia o papel de Jesus Cristo. A certa altura do drama, o intérprete do papel de Judas tinha que dizer: “bebo veneno”. Pois o ator que fazia o papel de Simão se antecipou, dizendo ele: “bebo veneno”.

O ator que fazia o Judas ficou desorientado e não conversou, explodiu em cena:

– E agora, cretino, o que é que eu bebo?!

Armando Rosas, como Cristo, abriu suavemente os braços e, com voz doce, rogou:

– Judas, Simão, meus filhos, tenham calma. Resolvam este assunto depois da Ceia, lá fora.

SÃO SEBASTIÃO

Nos sertões, quando há epidemia de varíola pelas cidades e aldeias, os matutos queimam estrume de boi às portas das casas. Dizem eles ser o melhor defumador que existe.

Se os micróbios ainda resistem, apela-se para o meio infalível: São Sebastião, levado em procissão pelas ruas da cidade, aí por volta das quatro horas da tarde.

Certo vigário, varão de muita fé em Deus e nenhuma na ciência, declarou no púlpito em ocasião de peste:

– Meus irmãos! Remédio não vale nada. Estrume de boi é superstição. O verdadeiro estrume de boi é São Sebastião!

ENTENDIA QUASE TUDO

Junto ao poste, à espera do bonde, aquele homem explicava aos demais, com perfeita compreensão, a origem da vida, as atrações moleculares do éter, o neo-espiritualismo, o espaço e as quatro dimensões…

Interrompeu-se, para dizer:

– Diabo! Não compreendo essa demora do bonde!…

INGRATOS!

Dois patifes mal-encarados encontram-se deitados no gramado de uma praça pública. Um deles lê um velho jornal que encontrou, e diz para o outro:

– Veja você como os homens são ingratos! Perseguem-nos dia e noite, e além disso nos chmam de ladrões e vagabundos. Não se lembram que se não existíssemos… Não haveria justiça, nem polícia!

PERGUNTE AO CAVALO

Um alentejano, recentemente chegado ao Brasil, foi um domingo fazer um passeio à Penha, em companhia de alguns patrícios. Ao chegar àquele subúrbio, viu um cavalo amarrado a uma árvore, e resolveu dar umas voltas nas proximidades. Entrou em acordo com o dono do animal, montou e partiu.

Momentos depois se ouviu um tropel furioso para as bandas da estrada arenosa. O grupo correu para lá, e viu o cavalo em disparada, com o freio nos dentes, trazendo em cima, vergado para a frente, sem chapéu, e com as duas mãos agarradas à crina do bicho, o português!

Um do grupo gritou:

– Aonde báis, ó Manuel?

E ele, pálido, sem olhar para trás, na vertigem da corrida:

– Nun xi xabe!

E desapareceu numa nuvem de poeira.

O CORAÇÃO NÃO É NADA

Num bar, dois sujeitos bebem e trocam confidências íntimas:

– Como vês, estou só… – diz um.

– Ela partiu?

– Para sempre!

– E estás triste?

– Tão triste…

– Compreendo: deixou-te, vazio, o coração…

– Não, deixou-me vazia a carteira… O coração torna-se a encher facilmente, mas a carteira?…