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AINDA BEM

O comerciante agarra o caloteiro que encontra na rua, e lhe diz uma série de impropérios.

– Mas, em resumo, – diz o devedor – que reclama o senhor?

– Pergunta o que reclamo? Por certo que meu dinheiro!

– Se é assim, posso respirar! De momento, imaginei que o senhor queria mas era o meu.

INFALÍVEL

Um homem imensamente gordo consulta um médico:

– Que devo fazer para emagrecer?

– Arranje um emprego público, uma esposa, filhos, e consignações em folha… Depois, venha contar-me o resultado.

COMO ESTÁ MUDADO

Um rústico português radicado no Brasil há vários anos, sentindo muita falta da família que ficara em sua terra natal, quis possuir o retrato do seu pai. Para tanto, certo dia procurou um pintor, e pediu-lhe que retratasse o seu genitor.

O artista (que era um borra tintas, e um maroto), baseado em escassas e rápidas informações, prontificou-se a executar o trabalho.

Decorrido o prazo, o pintor apresentou um retrato velho que tinha ha anos sobre um cavalete, como sendo o encomendado. O português fixou o quadro visivelmente surpreso. Era completamente diferente da lembrança que tinha do pai que deixara na terrinha.

– É aquele, o meu pai?!! – estranhou.

– Sim, senhor, é aquele.

– Tem certeza de que é ele? – insistiu o luso.

– É ele, asseguro-lhe.

E assim, entre soluços e lágrimas, o português sacou da algibeira o dinheiro para pagar o precioso retrato, exclamando choroso:

– Coitado do meu pai!… Como está mudado!…Ó como está mudado o pobre do meu pai!…Pobrezinho do meu pai, como está mudado!…

SE CHEGASSE A TEMPO

Um guarda urbano socorre um sujeito que se acha caído no chão, todo machucado e com a roupa rasgada:

– O que há, chefe?

 – Fui assaltado… eram dois, armados, bateram-me… bateram-me a carteira e depois… escapuliram…

– Imagine, seu chefe, se eu chego a tempo… – respondeu o guarda. – Éramos duas vítimas!

REMENDO

Um pai foi registrar o nascimento da filha.

– O nome? – diz o escrivão.

– Ruth.

Feito o registro verificou-se que o escrivão havia escrito: “Ruth, do sexo masculino, etc.”.

– Como! Aqui está errado! O sexo é feminino.

– Ó com os diabos! E neste livro não se pode riscar nem emendar…

– Dê um jeito…

– Aaaaa! Tão fácil!… diz o escrivão. – É só mudar o “ó” em “a”… Dá certo!

E lá foi lançado: “Ruth, do sexo masculina…”

EVIDENTE!

O Marinho e o Soiza eram dois portugueses que se estabeleceram com o mesmo ramo comercial, café em xícaras, na mesma avenida, no Rio. Um bem em frente ao outro.

O Marinho, chamando um pintador de paredes, mandou pintar, com tintas de corres berrantes, sobre as portas: Um ramo de café, uma santa e uma cruz de Malta.

O Soiza, que lá do seu estabelecimento tudo observava, interpelou o patrício.

– Ó Marinho! Que raio de borradela estás por aí a fazeire?

– Borradela, nada homain! Não bês logo a iarte e a ciência com que isto foi imaginado?

– Não t’entendo.

– Tão fácile: um ramo de café, uma santa e uma cruz: Café Santa Cruz!

Tu tens um talento de três estalinhos!

O Soiza que gostara da idéia do colega, assim que o pintor se desocupou mandou chamá-lo. No outro dia aparecia vistosa na parede do Soiza a seguinte pintura: Um pé de café, uma nuvem e um boi sobre a nuvem.

O Marinho, ao ver aquilo, gritou para o concorrente:

– Ó Soiza! Que raio de marmelada é essa aí?

– Marm’lada nada! Não bês logo? Café Voi nos Aires!