Arquivo por autor

INSULTO

Certo dia, no Rio, Aparício Torelly foi vítima, perto de uma farmácia, de acidente nervoso, com perda dos sentidos. Acorreram médicos e frascos de éter. O paciente, despertando, ouviu sussurrar o diagnóstico de “insulto apoplético”.

– Foi mesmo um insulto, doutor?

– Não, não foi nada. Pode ir descansar. Tudo já passou…

– Ainda bem… Sempre me dizia meu pai, não levasse insulto para casa.

AVISO

Certo dia Aparício Torelly (já “Barão de Itararé”) foi seqüestrado por seis oficiais da marinha, desgostosos com suas idéias políticas. Depois de ter sido violentamente espancado, ele foi abandonado na Barra da Tijuca, só de cuecas.

Após ter se recuperado da agressão, o Barão mandou afixar na porta da redação de A Manha, um cartaz de aviso às autoridades: ENTRE SEM BATER.

O CAFEZINHO

Em 1935, em meio à severa repressão política do Governo aos movimentos democrático, o “Barão de Itararé” (Aparício Torelly) foi preso e levado à presença do juiz federal Castro Nunes. O magistrado perguntou-lhe a que atribuía a sua prisão. Aporelly respondeu:

– Tenho pensado muito, excelência, e só posso atribuí-la ao cafezinho.

O juiz se surpreendeu:

– Ao cafezinho?!

– Vou explicar, excelência. Eu estava sentado no café Belas Artes, tomando o meu oitavo cafezinho e pensando em minha mãe, que sempre me advertiu contra o excessivo consumo de café. Nesse momento, chegaram os policiais e me deram voz de prisão. Só pode ser um castigo pelo abuso do cafezinho…

O juiz mandou levá-lo para a cela.

CUIDADO

Certa ocasião, já bem velhinho, doente e com dificuldades para caminhar, Aparício Torelly atravessava a Av. Rio Branco em companhia de um amigo, também idoso. Quando ele enxergou um ônibus que se aproximava em alta velocidade, advertiu o outro:

– Cuidado Valério. Aquele ali já nos viu!…

ATENUANTES

Num julgamento de um criminoso de morte, o Órgão da Justiça Pública, irritado com a ação jocosa do advogado de defesa, que era o famoso “Pinheirinho”, e que o desnorteava diante dos senhores jurados; pespegou-lhe o seguinte aparte:

– Circunstâncias atenuantes! Onde? Se o réu é autor de três crimes de morte!

– Perdão! – atalhou Pinheirinho. – Poderia ter sido de quatro!

SEGUIU À RISCA

A mulher do caipira estava passando mal e o marido, vendo-a empalidecer, montou a cavalo na sua chácara, próxima da cidade e foi, galopeando, chamar o médico.

– Doutor! Por favor… Venha ligeiro! A minha mulher está muito mal!

– Agora, no momento, é impossível – disse o doutor. – Tenho dois chamados urgentíssimos de clientes em estado gravíssimo, mas vou lhe dar uma receita e, assim que ela possa, dê-lhe uma colherada e, dentro de uma hora estarei lá.

Ao entregar-lhe a receita recomendou-lhe:

– Não se esqueça de que antes de dar a poção é preciso agitá-la bastante e com força.

– Sim, senhor.

Antes de uma hora voltou o caipira, sem fôlego, no auge do desespero.

– Doutor! Minha mulher morreu!

– É impossível!

– Quando eu dei-lhe a primeira chacoalhada, a pobre esticou as canelas!