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DOIS VALENTES

Numa bodega, altercavam dois poltrões cheios de vinho, separados pela largura da mesa. Exaltando-se a discussão, um deles exclama para o outro:

– O que lhe salva é não estar mais perto… ou então lhe dava duas bofetadas!… Mas basta a intenção: faça de conta que as recebeu!

– Pois eu digo isto – tornou o outro, também furioso, mas também frouxo – se não estivesse tão longe, lhe matava!… Mas basta a intenção: faça de conta que morreu!

ISSO NÃO!

Pregava um padre o sermão da sexta-feira Santa, e agitava no ar o Santo Sudário, em que se via estampada a imagem de Cristo. Ao mesmo tempo que exclamava, apontando para os fiéis:

– Bárbaros! Bárbaros que o assassinastes! Cruéis, que o sacrificastes!

E, na fúria da gesticulação, o pregador roçava o sudário pela chama das tochas, com risco de incendiá-lo.

– Ande lá! – grita-lhe lá de baixo um “irmão do Santíssimo”. – Queime-o, queime-o, e depois vá dizer também que fomos nós!…

ENCABULADO

Quando um homem, andando na rua, avistou o seu médico aproximar-se, cobriu o rosto com as mãos e escondeu-se atrás de uma cerca. Um amigo que o acompanhava, perguntou-lhe a razão da atitude inusitada

– É que sinto vergonha, pois já faz tanto tempo que eu não fico doente!

CÁRIE CHIQUE

No século XVII o açúcar custava muito caro, mas era o alimento preferido dos europeus abstados. Na mesa dos nobres e ricos tornaram-se comuns os bolos, geléias, cremes e doces de todo o tipo. Como não havia hábitos de higiene bucal, era comum os ricos terem os dentes totalmente podres! Consta que os da rainha Elisabeth I, da Inglaterra, tornaram-se totalmente pretos por ingerir muitos doces. E o hálito, então? Com tantos dentes estragados, é fácil se concluir que o mau-hálito dos ricos era terrível! Uma dama da corte portuguesa era conhecida por “boca de cloaca”!…

JUÍZES ANALFABETOS

Só por Alvará real de 13 de Janeiro de 1642 se proibiu que os analfabetos fossem juízes em Portugal e no Brasil! Embora já muito antes, nas cortes de Leiria e Santarém, os conselhos tivessem pedido – sem sucesso -, que os corregedores fossem homens letrados, discretos e competentes em matéria de direito. Não admira que na época fossem tão comuns as anedotas a respeitos de juízes!

ENQUANTO É TEMPO

Certo dia o Marquês de Maricá estava à mesa, quando recebeu uma participação de casamento.

– Vamos, marquesa, – disse, pondo-se de pé; – vamos quanto antes dar os parabéns aos noivos. Bom será que seja hoje mesmo!

– Hoje, marquês? Por que tanta pressa?

– Para não acontecer o que sempre acontece; isto é, dar-se os parabéns quando os noivos já estão arrependidos!…