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VAGABUNDO!

O famoso Conde da Cunha, primeiro vice-rei do Brasil, supervisionava o descarregamento de materiais para a casa de armas do morro da Conceição, quando avistou em uma janela, ao alto, um homem envolvido em vasto camisão, tendo na cabeça um grande barrete de dormir.

– Quem é aquele sujeito? – perguntou o vice-rei a um indivíduo que estava ao seu lado.

– É o capitão João Homem Pereira.

– Vá buscá-lo e traga-me o assim como está vestido.

Compareceu o capitão.

– Está vossa mercê na sua janela a divertir-se vendo o vice-rei trabalhar, não é assim? – gritou-lhe o Conde.

– Senhor…

– Pois carregue tijolo, que eu também estou servindo a El-rei nosso senhor.

E o capitão João Homem teve de entrar mesmo em serviço, carregando tijolos até o fim do dia, vestido de camisão e barrete de dormir…

 Em carta ao rei de Portugal, o Conde da Cunha escreveu: “Os naturais do Rio de Janeiro distinguem-se pela preguiça…”


O “ONÇA”

Luís Vahia Monteiro foi governador e capitão-geral do Rio de janeiro. Ranzinza como ele só, o que mais fez durante o seu governo, foi reclamar. Em uma carta ao rei de Portugal, D. João V, declarou: “Nesta terra todos roubam; só eu não roubo”. O que não impediu que ele fosse descoberto desviando dinheiro público para o seu engenho…

Afinal, enlouqueceu no cargo, tornando-se ainda mais ranzinza, genioso e até violento. Por essa razão foi apelidado “o Onça”; daí originando-se o termo “no tempo do Onça”.

A MAIORIA

Por caçoada, um rei ordenou ao seu bobo da corte:

– Quero que me digas quantos loucos há nesta cidade.

– A lista, Senhor, – respondeu o bobo- será um pouco extensa…

– Toma, pois cuidado ao fazê-la, e que seja ela bem exata, disse o soberano.

– Eu como sou inimigo de trabalho, por me poupar a ele, vos vou fazer a lista dos sãos (que será bem curta), e por ela podereis calcular o número dos idiotas!…


BARBAS

Estando dois embaixadores estrangeiros na corte de certo rei, este os insultava, dizendo serem muito rapazes. A isso, um deles confiadamente disse ao monarca: “Se o nosso Rei soubesse, que na Corte do Imperador se estimavam mais as barbas do que a sabedoria e a prudência dos Embaixadores; ter-lhe-ia enviado um rebanho de bodes”.

AGORA SÓ OS DOS OUTROS

Dizia certo irmão de uma ordem religiosa com voto de pobreza, que pedia esmolas de casa em casa:

– Ajudem-me, por caridade! Eis que este humilde servo de Deus, quando deixou a vida mundana, abandonou todos os seus bens, que não eram poucos.

– Teria sido melhor– respondeu-lhe um sujeito, farto dos constantes pedidos, – se tivesses renunciado aos bens alheios!

O MENOS ESTÚPIDO

Certo cavalheiro castigava o seu cavalo que escoiceava, e não queria ser o último que cedesse. Um passante gritou-lhe:

– Ora, senhor, um de vós dois terá que ter juízo!