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CORTE DE ELITE

Durante o reinado de D. Maria I (1734-1816) de Portugal- período em que mais intensa foi a espoliação do Brasil –  a corte da rainha era composta pelo que havia de pior em termos intelectuais e morais.

Sabendo do fanatismo religioso da Rainha, uma série de espertalhões supostamente piedosos, tomou conta da Corte. Muitos padres nessa época eram analfabetos – o que não deve causar espanto porque não se lia a Bíblia que, ainda por cima era escrita em latim.

Tanto assim, que um truão que servia o Arcebispo de Thessalônica, confessor da Rainha; costumava gracejar com o amo:

–  Só três tipos de pessoas tem entrada no Paço: – dizia ele –  o sábio, o santo e o bobo. O sábio sai logo desanimado; o santo vira mártir; só o bobo prospera!

O arcebispo – ele próprio bêbado e ignorante – sacudia a cabeça e ria às gargalhadas!

O REBANHO

No mercado público da cidade, um homem pretensioso que tinha uma pequena chácara no campo, avistando o seu empregado recém chegado de lá, perguntou-lhe bem alto, para que todos ouvissem:

– E então? Como vai o meu “rebanho”?!

– Ah, patrão – respondeu o empregado – quando eu parti de lá, uma ovelha estava deitada e a outra pastando…

CASE-O

Um rústico, que tinha sido alegre e bem disposto nos tempos de rapaz solteiro, depois de alguns anos de casado, tornou-se taciturno, magro e encurvado.

Um dia, indo para o campo trabalhar, ele viu um açougueiro perseguir um touro, e perguntou-lhe por que fazia isso.

– Porque eu quero amansá-lo – respondeu o açougueiro.

– Ah – respondeu o rústico – então faça ele se casar, se isso não deixá-lo mansinho, nada mais o fará!

BISPO ALIMENTÍCIO

O bispo Pero Sardinha, primeiro Bispo do Brasil, foi o protagonista de um episódio tragicômico da História do Brasil, ao ser devorado pelos caetés, em 1556. O fato de o infeliz clérigo ter tido o nome de Sardinha, e de ter sido comido; permitiu que gerações e gerações de colegiais, ao tomarem notícia do fato pela primeira vez, sejam levados a fazer a mesma (velha) piada:

– Mas, professor, o bispo era sardinha em óleo, ou em molho de tomate?

Afinal, não é isso que nós fazemos até hoje com sardinhas; dignos descendentes que somos daqueles antigos caetés?


PARA NÃO GASTAR

Um homem, tendo caído doente, prometeu-se a pagar o médico se ele se recuperasse. Quando a sua mulher o recriminou por beber vinho estando febril, ele retrucou:

– Pois então tu queres que eu fique são, e seja obrigado a pagar o médico?

 

A MESMA COISA

Sabendo que um homem teria que ir à Corte para tratar de certo negócio, um seu visinho, pediu-lhe:

– Compadre, se não for abusar: vossemecê poderia me trazer do Rio dois moleques de dez anos, para os serviços da casa, e brincar com as crianças?

– Com muito gosto. – respondeu o homem, recebendo o dinheiro para a compra. – E se eu não encontrar os dois negrinhos de dez anos,  trarei um preto de vinte.