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MÉCIA DOS MAUS VENTOS?!
Muitas foram as uniões de reis e rainhas de Portugal com membros da corte espanhola. Um dos enlaces mais desastrados desses, foi o da espanhola D. Mécia de Haro com o rei D. Sancho II, em 1245.
D. Mécia revelou-se uma peste! Logo era conhecida na Corte como a “Mulher-diaba”, a ”Eva-pecadora “(Sancho II teria “sócios”), e a “Feiticeira”. Contrastando com a sua personalidade forte, D. Sancho II foi um fraco – o tipo de marido que os portugueses chamavam de “Gonçalo”, “em cuja casa manda mais a galinha do que o galo”. Os cronistas da época descrevem a rainha como desordeira e criadora de atritos com o Clero. O casamento não poderia acabar bem: Tantas fez D. Mécia, que o matrimônio foi anulado pela Igreja, e o infeliz D. Sancho II, deposto do trono.
Em função desse episódio, o povo teria cunhado o adágio: Da Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos!
Quanto a parte dos ventos? Bom, primeiro entram no ditado para propiciar a rima, depois porque é da Espanha que vem o frio vento leste no inverno, e o abrasador “suão”, no verão…
CICERONE
– Serviu-me de cicerone um preto… – Exemplifica o filólogo Cândido de Figueiredo. Todos sabem o que significa e quanto é usado o termo cicerone. Pelo som da palavra também facilmente deduzimos que a sua origem é italiana. Cicerone é um guia turístico, e freqüentemente também intérprete; é um guia que descreve as coisas com grande palavreado. Só assim ele poderia dar a idéia, ainda que caricata, de um orador fluente. O termo, nesse sentido, provém da conhecida ironia italiana. Ciccerone, é como os italianos chamam Cícero – o mais fluente e brilhante orador da Roma antiga. Os italianos, ao verem alguém que fala pelos cotovelos, dizem, por piada: Ciccerone!…
O QUE ELA NÃO ERA
Após a representação teatral, uma atriz de notória vida airada foi cumprimentada, em seu camarim, por um rico fazendeiro da província em visita à corte. O homem elogiou-a pela sua inspirada atuação na peça.
– Ora, – respondeu ela, em fingida modéstia – o papel exigia apenas uma jovem ingênua e pura.
– Ah, senhora! – respondeu o felicitante – vossamercê é boa prova de que isso não era necessário.
COMPADRE ERBÍVORO
Os indígenas não conheciam o cavalo, que foi trazido para o Brasil pelos europeus. Certa vez, um chefe índio aliado dos portugueses, foi à estrebaria e pôs-se a falar com um dos cavalos. Disse que o queria por compadre, porque tinha ouvido dizer que os cavalos eram valentes na guerra e bons amigos. Um mameluco que tinha cuidado do cavalo, quando viu o índio triste por não obter resposta, ofereceu-se para intérprete, e fingindo que falava na orelha do animal, disse-lhe que o cavalo honrava-se com sua amizade. Com esta resposta o índio perguntou o que comia o seu compadre, porque de tudo o proveria. Respondeu o mameluco que o seu mantimento diário era erva e milho, mas que também comia carne, peixe, e mel.
De tudo forneceu abundantemente o chefe, andando os seus, uns a segar erva, outros a caçar, e pescar, e tirar mel dos paus – com que o intérprete se sustentava muito bem! E o cavalo engordou tanto, que abafou, e morreu de gordo, cuja morte o índio muito sentiu, e o mandou prantear por sua mulher e parentes.
RECOMPENSA
Durante o conflito entre portugueses e holandeses, houve um escravo de um serralheiro português que prendeu seu senhor e, depois de esbofeteá-lo, dizendo-lhe que já não era seu senhor senão seu escravo; não contente, ainda cortou-lhe a cabeça. Depois – lembrando-se do ódio que tinham os holandeses aos portugueses – teve a idéia de levar a cabeça do amo morto ao coronel dos holandeses, na certeza de que este lhe daria uma recompensa.
O coronel, de fato lhe deu duas patacas, …mas depois o mandou enforcar, sob o argumento de que quem fizera aquilo a seu senhor, também o faria a ele, se pudesse!
LAMBENDO A LUZ
No Brasil do século XVII, certa vez houve grande falta de óleo de peixe, tanto para a sinalização de barcos e navios, como para a iluminação dos engenhos que trabalhavam toda a noite. Assim tiveram que utilizar azeite de dendê. Os colonos porém ficaram admirados ao constatarem que esse óleo não durava nada! Depois foi descoberto o mistério: Os negros eram loucos por esse azeite, e não bastava todo o azeite do mundo para a iluminação. Tanto assim que tiveram que misturar-lhe um outro azeite amargoso, e fedorento, para que os escravos não lambessem os candeeiros!…