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MAL E PORCAMENTE
Essa expressão de uso comum, para começo de conversa, foi adulterada no passar do tempo. Inicialmente ela era “mal e parcamente” – isto é: Mal e mal, apenas o mínimo, por um triz, de modo imperfeito, etc. Mas como “parcamente” não era palavra do vocabulário popular, as pessoas trataram de substituí-la por outra parecida, bastante conhecida, e adequada à idéia que se queria dar. E ficou o “mal e porcamente” – sob veementes protestos da classe suína!
E A PRIMEIRA EUROPÉIA?
Escreveu Monteiro Lobato“Nós homens sabemos, com certeza de pedra e cal, qual o antepassado branco que primeiro pisou estas plagas. Era um Pero, ou Pedro… a não ser que fosse um Vicente, o Yanez Pinzon. Mas nossas gentis contrárias em sexo ignoram em absoluto qual a vovó inicial que veio diluir a brancura de pele no pigmento dos Gês e Nu-Aruaks, (…) Seria portuguesa? Seria francesa?
Jean de Lery conta que em seu navio, além do reforço masculino mandado por Coligny ao senhor Nicolau de Villegaignon, vinham cinco francesas. Seriam Rosemonde, Yvette, Colette, Suzanne e Louise as primeiras arianas que respiraram o ar brasílico?”
As cinco francesas que vieram em 1556, chegaram num tempo em que tudo eram araras e papagaios por cima das frondes e apetites canibalescos por baixo. Nada indicava o surto da nova fauna cuja semente Tomé de Sousa fez vir consigo.
LESA-MAJESTADE
Alguém aproximar-se de um rei não era bem assim. Implicava em atender antes a um cerimonial. Depois – se o rei assim entendesse – teria que ser convidado pelo monarca a aproximar-se. Como bem verificou D. Diogo d’Almeida, Prior do Crato.
Certo dia, estando El-rei D. João II sentado junto de um bufete, com o rosto virado para a parede, D. Diogo passou por trás dissimuladamente, sem tirar a gorra, …persuadido de que El-rei o não via.
– Afastai-vos lá – exclamou, em tom de galhofa, o soberano, que lhe percebera a sombra na parede – não sabeis que os reis não têm direito e avesso?!…
MAU COMEÇO?
Segundo alguns, uma terra explorada inicialmente por piratas e povoada por criminosos degredados, pareceria destinada a patifarias, como as que têm sido freqüentes na política brasileira até nossos dias. E o fato de o descobrimento ter ocorrido no dia 22 de abril – dois meses depois do Carnaval! – também não contribuiu muito como prenúncio de seriedade…
A TORTO E A DIREITO
Especialmente usado na locução atirar a torto e a direito ou bater a torto e a direito, de quem, sentindo-se agredido ou encurralado, agride a todos que encontra por perto, sem discriminar inimigo ou amigo. A expressão é muito antiga, e Cândido de Figueiredo lembra que é encontrada em outras culturas européias também (em francês há À tort e à travers). O termo viria dos cegos que mendigavam nas antigas feiras populares européias, e que, muitas vezes, eram provocados por troça, apenas para vê-los furiosos, desferindo bastonadas a esmo: atirando aos montes, a torto e a direito, para a direita e para a esquerda…
MENOS ENROLAÇÃO!
A capitania de Ilhéus foi comprada por um certo Lucas Giraldes, juntamente com vários engenhos de açúcar. Depois de certo tempo, seu administrador, de nome Thomazzo, enviou-lhe longa correspondência relatando as dificuldades que vinha encontrando, e as razões pelas quais a produção de açúcar não era a que o patrão esperava.
Giraldes respondeu-lhe curto e grosso:
– Thomazzo, queres que eu te diga? Mande o açúcar e deixe de conversa!…