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GROGUE
Grogue , vem do inglês “groggy”, que significa estado de estafa, sonolência, tontura. Fica grogue o boxeador que leva na cara um gancho de direita do adversário, por exemplo. Embora também haja quem atribua o termo, ao nome da bebida alcoólica grogue, feita à base da mistura de rum, água e açúcar. Como diria o Barão de Itararé, “quem bebe muito grogue, fica muito grogue”. Qualquer que seja a origem do termo, entretanto, o que importa é que significa embriagado, tonto, zonzo, etc.
CHIQUE
O conhecido termo, usado como adjetivo, tem o sentido de elegante, catita, vistoso, belo. Em frases tipo: “Menina, você vem hoje muito chique!” Serve também para “um tecido chique”, “um espetáculo chique”, etc. A palavra origina-se do francês “chic”, procedente por sua vez do alemão “schick” (elegante, janota). Mas, na França designa especialmente a habilidade ou destreza, com que se executa uma obra de arte. E “podre de chique” de onde vem? Ah, “podre de chique” é frescura mesmo…
TORCEDOR
Como todos sabemos, a expressão de gíria brasileira significa apoiador de uma equipe ou de um atleta, de uma modalidade esportiva qualquer, especialmente o futebol. O termo foi cunhado pelo escritor brasileiro, Coelho Neto, cujo filho mais velho, Mano, foi um dos grandes atletas do futebol, no Rio de Janeiro do início do século XX. A expressão torcedoras, Coelho Neto teria criado referindo-se às moças elegantes que, assistindo as partidas de seus times favoritos, torciam nervosamente as suas luvas.
DESTINO CRUEL
No ano de 1550 a falta de mulheres brancas, na Bahia, era tão sensível que a rainha dona Catarina de Portugal enviou várias moças órfãs, para que se casassem com os principais homens da terra.
Sua Majestade, contudo, teve que dizer às freiras que ordenassem às suas pupilas que fossem ser grandes senhoras no Brasil – “sob pena de excomunhão”, se necessário! Pois a maioria delas preferia destino mais brando: cuidar de leprosos, cultivar a terra ou faxinar conventos e igrejas; desde que permanecendo em Portugal.
AS MALAS DO CHALAÇA
D. Pedro I tinha queda por gente reles. E ninguém gozava de mais prestígio junto ao fundador do império brasileiro que Francisco Gomes da Silva, o Chalaça. Ele era a encarnação do que havia de mais ordinário. Bêbado, capoeira, navalhista, tocador de violão, vivia ele em farras pelos prostíbulos, nas ruas fazendo serenatas, ou metido em brigas com outros vagabundos. Mas D. Pedro I teve verdadeira fascinação pelo Chalaça: tirou-o da barbearia em que ele trabalhava, e levou-o para o paço; fez dele conselheiro do império, seu confidente, e o homem que mais força tinha sobre o imperador. Os ministros tentavam em vão livrar-se dele.
Só depois de muitos anos, no tempo da segunda imperatriz, conseguiram os ministros afastar o Chalaça do Brasil, e só o conseguiram com o apoio decidido da soberana – a quem D. Pedro, por paixão, não queria contrariar.
Mas D. Pedro ficou com o ministério atravessado à garganta! Para vingar-se dos ministros, resolveu ir pessoalmente arrumar as malas do favorito, com suas próprias mãos. Depois se gabava disso aos ministros. Fazia-os esperar horas e horas e, quando aparecia dizia:
– Demorei porque estava arrumando as malas do Chalaça!…
BADERNA
O termo significando barulheira, bagunça, confusão, desordem; vem do nome dançarina e cantora italiana, Marietta Baderna, que estabeleceu-se no Rio em 1849. Em pouco tempo ganhou o palco e conquistou o público do Teatro Imperial, que vivia lotado por seus admiradores apaixonados: os badernistas. Os “badernistas” eram jovens, e demonstravam o seu entusiasmo com gritos, assobios e pateadas (bater com os pés no soalho). Além disso, Marietta era muito liberal para a época e tinha espírito contestador, provocando a ira dos mais velhos e conservadores, que achavam que ela representava uma má influência para a juventude.