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SEDE
Certo cavalheiro tinha uma criada que se entregava à bebida, dando cabo dos vinhos da sua adega, em companhia do criado de servir e do cocheiro.
O amo a despediu, aconselhando-a que não pedisse carta de recomendação. A boa mulher enfureceu-se, e até chegou a ameaçá-lo com o juiz de paz.
O amo cedeu, e pôs o seguinte informe no atestado: “Despedi a Tertulhana de minha casa, porque seus namorados têm muita sede.”
TROCA DE DENTES
Um camponês queria vender um cavalo. Um interessado perguntou-lhe:
– Este animal já tirou os primeiros dentes?
– Já, tirou sim. Na verdade tirou-os já duas vezes…
– Como pode ser isso? – admirou-se o outro.
– Pois, – respondeu – ele tirou os meus uma vez, e outra os de meu pai.
SENTINDO NA PELE
Gaspar da Costa de Ataíde foi um almirante português que esteve no Brasil dando combate a Doguy-Trouin, quando este atacou o Rio de Janeiro.
Sendo mandado sair de guarda-costas, constatou que a nau capitania estava fazendo água. Mas os mestres da ribeira das naus garantiram a El-rei que a embarcação estava em boas condições. Calou-se Gaspar da Costa, e só pediu a El-rei que os mestres fossem à bordo para melhor examinarem o estado do navio. Concordou com isto El-rei; e logo que o almirante teve a mestrança embarcada, … mandou levantar ferros! Os mestres tomaram o maior susto!
À saída da barra começou logo a nau a fazer muitas polegadas de água! Sem mais cerimônia, Gaspar da Costa mandou que o acionamento das bombas fosse feito pelos mestres da ribeira (que vestiam-se finamente, com capas à volta). E foi só depois de muito tempo, e de muitas súplicas dos mestres, exaustos de bombear e temendo morrerem afogados, que ele mandou retornar à Lisboa.
Dirigiu-se imediatamente ao Paço, a avisar El-rei que estaria plenamente de acordo com as informações que dessem os mestres a cerca do estado do navio!…
SOB AMEAÇA
Dois frades foram pedir ao rei Filipe II certo benefício para a sua comunidade. O mais velho, que por essa circunstância tocava falar primeiro, era um maçante que falava sem parar, e fez a El-rei um prolixo e importante discurso sobre o negócio que requeria, aborrecendo-o com ele por largo tempo.
Quando ele terminou de falar, perguntou El-rei ao outro, se tinha alguma coisa que acrescentar ao que seu companheiro dissera. O frade, que estava tão cansado da impertinência do outro, como El-rei aborrecido de aturá-lo, respondeu:
– Sim, senhor; a nossa comunidade me encarregou de que, no caso de Vossa Majestade não fazer o que pedimos, faça com que meu companheiro torne a repetir-lhe tudo o que disse, desde a primeira letra até a última!
O rei caiu na gargalhada. E dizendo “ter medo de que a ameaça se cumprisse”, despachou logo o negócio como se pedia!…
E EU?
Quando Rui Barbosa iniciava sua profissão na Bahia, apareceu-lhe em casa, certa vez, um açougueiro, perguntando-lhe:
– Se o cachorro de um vizinho lhe furta um pedaço de carne pesando 5 quilos, o dono do cachorro é obrigado a pagar?
– Tem testemunhas?
– Tenho.
– Pois trate de receber a importância.
– Pois então o doutor me deve 7$500. Foi o seu cachorro que roubou a carne.
O futuro jurisconsulto fez o pagamento sem bufar, e, quando o açougueiro ia saindo, chamou-o:
– Vem cá! E a consulta?
– Tenho que pagar?
– Naturalmente. São 50$000.
SEGUNDO O BARÃO DE ITARARÉ:
Série de doenças que podem ser apontadas como responsáveis pela morte de determinados profissionais:
Advogado – Forumculose.
Agricultor – Dilatação da a… horta.
Bailarina Clássica – Dança de São Guido.
Caixeiro de Armazém – Perda de peso (250 gramas por quilo).
Chofer – Auto-intoxicação. Taxi-cardia.
Chefe de Polícia – Prisão de ventre.
Condenado à Morte – Réu-matismo.
Fabricante de Fazendas – Tecidos dilacerados.
Fabricante de malas – Malária.
Funcionário Público – Doença do sono.
Guarda de Jardim Zoológico – Elefantíase, lobinhos.
Guarda-Livros – Cálculos.
Inspetor de Águas – Gota, barriga d’água.
Jardineiro – Cravos.
Jóquei – Tuberculose galopante.
Jogador de Sinuca – Cálculos bilhares.
Músico – Desvio das cornetas.
Perito – Peritonite.
Sacristão – Sinusite.
Pintor de paredes – Febre amarela.
Usineiro – Açúcar no sangue.