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QUEM NÃO?

Passavam um rio numa balsa um militar e um padre que levava a cabresto a sua mula, que tremia de medo. O militar para entabular conversação, ou talvez por zombaria, disse:

– Senhor cura, por que treme tanto a sua mula?

– Senhor militar, se vossa mercê tivesse – respondeu o cura, sorrindo – uma corda no pescoço, ferro nos pés e um sacerdote ao seu lado, não tremería muito mais?

CONDE DE NARANJO

No século XVII, contavam-se muitas anedotas a respeito do conde de Naranjo.

Conhecendo o senhor cura a sua notória estupidez, preveniu-o um dia que aprendesse, pelo menos, o Pai Nosso e os Sete Mandamentos, porque se não os soubesse não poderia aprová-lo no exame para freqüentar a paróquia.

O conde retirou-se para casa meio desesperado. Como sua mulher queria saber a causa de seu desgosto, disse-lhe:

– Que queres que eu tenha? Não é coisa estranha que nosso cura seja dado à mania de que todos devemos ser teólogos? Como há de confessar-se um homem como eu, que não estudou?

Este bom conde foi em outra ocasião confessar-se. Conhecendo o sacerdote a rudeza do penitente, perguntou-lhe:

– Sabeis vós os Sete Mandamentos?

– Qual! Isso seria saber muito!

– É possível que um cavalheiro como vós ignore uma coisa tão essencial?!

– Tende razão, padre; porém eu deixei de aprendê-lo porque correm boatos de que vão ser suprimidos.

O MESSIAS

Um fidalgo tinha tomado emprestado muito dinheiro dos judeus, hipotecando em garantia a esperança que tinha de herdar de um tio solteirão, muito enfermo e desenganado pelos médicos.

Porém como o homem propõe e Deus dispõe, o tio não só se pôs são, como casou e teve um filho. Adeus esperança dos judeus! Adeus hipoteca!…

O fidalgo, ao sabê-lo, exclamou:

– Este menino é o Messias, que veio para destruir os judeus…

PRECAVIDO

Tendo ouvido dizer um viajante que na noite seguinte teriam que atravessar um bosque cheio de ladrões, disse ele com ar satisfeito:

– Eu, meus amigos, já tomei as minhas precauções, porque para evitar uma surpresa coloquei o meu par de pistolas no mais secreto do meu baú.

GENTE BURRA

Um inglês que viera para o Rio de Janeiro junto com a corte de D. João VI, e que não sabia falar uma palavra de português, dizia a um compatriota que acabava de chegar da Inglaterra:

– Não podes imaginar o quão estúpida é essa gente; faz quarenta anos que estou no Brasil, e ainda não pude conseguir que aprendam inglês.

PERDE A GRAÇA

Um indivíduo casado, fazia mais de dez anos que passava todas as tardes com sua vizinha, D. Vicentina.

Enviuvando, seus amigos aconselharam-no a casar-se com a sua vizinha, eis que nutria por ela uma amizade tão íntima.

– Não vêem que se me caso com ela, – dizia ele aborrecido – já não terei onde ir passar as tardes?