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NOBRES A GRANEL

Na época da monarquia, tamanha foi a derrama de títulos nobiliárquicos, que o humorista Pafúncio Semicúpio Pechincha (Eduardo Laemmert), fazia troça:

“Foge cão. Que te fazem Barão! Mas para onde? Se me fazem Visconde. Ou daqui a um mês, me nomeiam marquês? Ou por qualquer truque, me fazem Duque?”

QUE PERIGO!

Pelas ruas vagava em desatino, um pobre paspalhão apatetado, em busca de seu asno que fugira. A todos perguntava se não viram o seu animal sumido:

– Ele é sério – dizia – está ferrado, e tem o focinho branco.

Até que encontra, parado numa esquina, um vagabundo zombeteiro.

– Olá, senhor meu amo, – pergunta-lhe o pobre do matuto, aflito –

por aqui não passou o meu burrico, que tem o pé calçado e o focinho ruço?

– O seu burro, senhor, – responde-lhe o tratante, em tom de mofa – passou aqui, mas um Ministro o pegou e fez dele um Barão!

– Ó Virgem Santa! – exclama o caipira, tirando o chapéu – Se o tal Ministro me pilha desse jeito, Serei Conde, Marquês ou Deputado!

MISTÉRIO

Um rústico, que tinha em casa filha solteira e um sobrinho, não atinava com a causa de dia a dia minguar-lhe o vinho da pipa.

Pensa no caso, repensa, até que por fim que exclama:

– Resolvi o mistério! A prima gosta do primo, o primo gosta do vinho!…

INCONSOLÁVEL

Protestando distrair-se das mágoas da viuvez, vivia um lorpa na taverna a emborrachar-se.

Pergunta-lhe um conhecido que o encontra no estado mais deplorável:

– Então? Já estás consolado?

– Nada; eu sou inconsolável!

POR CARIDADE

Queixava-se uma senhora ao médico que visitava o marido, atacado de atroz asma:

– Ai meu doutor, que martírio, que aflição prolongada! Não tenho mais esperanças… Tem-nas o senhor?

– Confesso que o mal não tem cura; seria tolice negá-lo. Mas sossegue: asma não mata; vai-se com ela à velhice.

– À velhice! Anos e anos! Coitado… Que suplício! Doutor veja se lhe encurta tão longo padecimento…

SÓ O QUE FALTA

Um frívolo peralta, que foi paspalhão desde fedelho, lá um dia postou-se em frente ao um espelho que havia na sala da casa de seu pai, e disse à própria imagem:

– Tertulhano, és um rapaz formoso! És simpático, és talentoso, és rico! Que mais te faz falta no mundo?

Ao que, o pai, que escondido atrás da cortina ouvira tudo, penetrando na sala, respondeu:

– Juízo!