Arquivo da Categoria ‘De 1500 a 1600’
RIO CRESCIDINHO
Antônio Torres, referindo-se à descoberta da Baía da Guanabara, em 1502 ou 1504, e à origem do nome da cidade do Rio de Janeiro, e o cômico involuntário do episódio: “Com efeito, certo dia aqui chegou um capitão português em sua nau, e entrou pela baía adentro, uma baía imensa, um mar inconfundível; pois, senhores, depois de muito olhar, de muito examinar e muito matutar, concluiu ele lá com os alamares do seu gibão:
– Isto é um rio!”
TAPEANDO O SANTO
ANEDOTA POPULAR DE 1557: A respeito de um naufrágio em alto-mar, em que um cavaleiro, quando viu que seu navio estava perdido, recorreu a São Nicolau oferecendo-lhe seu cavalo ou seu jumento caso isso o ajudasse em seu infortúnio. O que seu criado ouviu, e disse-lhe que não deveria fazê-lo, pois sobre o que iria montar depois?
Ao que o senhor replicou em voz baixa (pois não era para o santo ouvi-lo):
– Fique quieto; depois que ele me tiver ajudado, não lhe darei nem o rabo do cavalo!
FANFARRONICE DE NAVEGADOR
O grande navegador Vasco da Gama estava a bordo de uma caravela, conversando com um estrangeiro ilustre. De repente, o mar encapelou-se todo e uma enorme onda varreu o convés, de ponta a ponta. Assustado, o estrangeiro perguntou-lhe o que era aquilo. E Vasco respondeu com displicência:
– Não foi nada; só um de meus homens que cuspiu no mar…
ELES SÓ PENSAVAM “NAQUILO”
Passando meses no mar, aquelas tripulações exclusivamente masculinas da frota de Cabral, mais do que de comida e água frescas, tinham necessidade de companhia feminina.
Por isso, arregalaram os olhos ao verem as índias seminuas, que lhes pareceram muito atraentes. Só o fato de andarem sem roupas, já as tornava alucinantemente sedutoras. As européias da época cobriam-se dos pés à cabeça.
Pero Vaz, num arroubo compreensível, disse logo que as nativas eram moças, bem moças e gentis!… Pero Lopes foi mais longe: afirmou que causariam inveja às mais bela patrícias da Rua Nova, em Lisboa.
Não é atoa que os portugueses da época tinham um provérbio: “O homem é fogo e a mulher estopa; vem o diabo e assopra”.
ADEQUADAMENTE REMUNERADO
O humor literário época do Descobrimento, era quase todo ele escrito em versos. Como este, “Foi um dia Lopo Jogral”, de Martim Soares, a respeito de um jogral que cantava desafinado:
Foi um dia Lopo jogral
Cantar na casa de um fidalgo
E deu-lhe este em pagamento
Três coices na garganta,
E até foi moderado, a meu ver,
Pelo jeito como ele canta.
E tratou-o com moderação
Ao dar-lhe tão poucos coices,
Pois não deu a Lopo então
Mais de três em sua garganta
E mais merecia o jogralão,
Pelo jeito como ele canta.