Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’
PERGUNTE AO CAVALO
Um alentejano, recentemente chegado ao Brasil, foi um domingo fazer um passeio à Penha, em companhia de alguns patrícios. Ao chegar àquele subúrbio, viu um cavalo amarrado a uma árvore, e resolveu dar umas voltas nas proximidades. Entrou em acordo com o dono do animal, montou e partiu.
Momentos depois se ouviu um tropel furioso para as bandas da estrada arenosa. O grupo correu para lá, e viu o cavalo em disparada, com o freio nos dentes, trazendo em cima, vergado para a frente, sem chapéu, e com as duas mãos agarradas à crina do bicho, o português!
Um do grupo gritou:
– Aonde báis, ó Manuel?
E ele, pálido, sem olhar para trás, na vertigem da corrida:
– Nun xi xabe!
E desapareceu numa nuvem de poeira.
O CORAÇÃO NÃO É NADA
Num bar, dois sujeitos bebem e trocam confidências íntimas:
– Como vês, estou só… – diz um.
– Ela partiu?
– Para sempre!
– E estás triste?
– Tão triste…
– Compreendo: deixou-te, vazio, o coração…
– Não, deixou-me vazia a carteira… O coração torna-se a encher facilmente, mas a carteira?…
ÚNICA MANEIRA
Ao meio do terceiro ato de um velho drama, no teatro Recreio, havia um incêndio e o herói da peça era obrigado a vir salvar a mãe, que se achava desmaiada num sofá. O herói, era o franzino ator Antônio Marques; e a mãe, quem fazia era a gordíssima atriz Júlia Golbert.
Chegado o momento trágico, as labaredas invadem a cena, e a atriz “desfalece”, dando um grande trambolhão. O herói irrompe aos gritos:
– Minha mãe! Minha mãe!
Marques aproxima-se e tenta erguer a Júlia. Mas, por mais que forceje, não consegue levantá-la do chão. Bufa e geme, mas é impossível!
Nisso, das torrinhas, brada uma voz escarninha:
– Leva-a em duas viagens!
NOBREZA DA GALHOFA
O jornalista gaúcho Aparício Torelly, ou Aporelly, posteriormente famoso Barão de Itararé – título auto-concedido em homenagem à maior batalha da Revolução de 30, que acabou não acontecendo -, criador do jornal de humor, “A Manha”, foi provavelmente o mais famoso humorista que o Brasil já teve.
O “BARÃO” NA FACULDADE
Aparício Torelly, quando jovem cursou inutilmente, por algum tempo, a Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Como não estudasse, respondia no improviso suas provas orais, que se tornaram célebres:
Certa vez, o catedrático, farto, puxou um osso de dentro da gaveta e apontou-o para Aparício:
– O senhor conhece esse osso?
– Não senhor.
– Então deixe que lhe apresente: é um fêmur…
Aporelly levantou-se e, sacudindo solenemente o osso pela outra ponta, respondeu:
– Muito prazer.
A um exausto e sarcástico examinador, que propôs amistosamente, pelo menos, um palpite, Aparício respondeu:
– Palpite só no prado.
RINS
A outro mestre, cansado, que fazia a última pergunta, bem fácil, para vê-lo acertar pelo menos uma:
– Seu Torelly, quantos rins nós temos?
– Quatro, professor.
– Quatro?!
– Sim, “nós” temos quatro; os seus dois, mais os meus dois.