Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’

ESTAVA SABENDO

Numa noite muito escura, Álvaro Moreira e o também poeta Pedro Velho, seguiam por uma rua mal iluminada, em Porto Alegre. Eles tinham bebido um bocado, e a rua estava em conserto, toda alagada da chuva que caía.

De repente, Álvaro Moreira, que seguia na frente, avisou:

– Olha, toma cuidado, a rua está cheia de buracos.

Ao que Pedro Velho, que seguia atrás, respondeu:

– Eu sei. (e a voz subia): – Eu sei, já estou dentro de um!

MULHER PERDULÁRIA!

José do Patrocínio Filho, apesar de ter um bom emprego, andava sempre com os bolsos vazios. E explicava:

– Claro! Ganho bastante, e para quê, se a minha mulher tem a mania de pagar contas? É todos os meses a mesma coisa: tanto para o vendeiro, tanto para o padeiro, tanto para o quitandeiro, tanto para o açougueiro, e a lavadeira, a água, a luz, o gás… Assim não é possível!

SÓ UM MOMENTINHO

Passeavam tranquilamente os amigos Jacob e Abraão pelos arrabaldes da cidade… De repente, encontraram com uns bandidos que os obrigaram a pôr as mãos para cima e lhes exigiram todo o dinheiro que levavam… Então, o velho Abraão disse aos ladrões:

– Concedei-me, cavalheiros, uns momentos: – antes de dar-vos o dinheiro tenho que saldar um compromisso com Jacob…

Aceita a trégua, Abraão tirou do bolso cem mil réis e disse a Jacob:

– Aqui tens o dinheiro que eu te devia…

NADA DE ECONOMIAS

Em visita a domicílio, o médico, após examinar o doente, diz à dona da casa:

– Não é nada. Uma ligeira inflamação das amígdalas. Uma aplicação de nitrato de prata…

– Não fazemos questão de despesas, doutor – responde-lhe a madame. – Pode aplicar nitrato de ouro ou de platina.

REGIME

O médico prescreve ao paciente regime restrito:

– Nem vinho, nem álcool, nem fumo, nem farras… e caminhar bastante, nada de taxi ou de bonde, hein?

– E depois, doutor?

– Depois?… Creio que terá economizado o suficiente para pagar-me as visitas e consultas…

UM PEQUENO REPARO

Em vésperas de casar a filha, o pai da noiva fala com um dos tios do noivo. Este, depois de fazer grandes elogios ao sobrinho, acrescenta:

– Entretanto, não posso esconder-lhe que ele tem um defeito.

– Qual?

– Não sabe jogar.

– Oh! Tanto melhor.

– Não há dúvida, mas é que, apesar de não saber, joga.