Arquivo da Categoria ‘De 1900 a 1950’

ESCLARECIMENTO

Um sujeito namorava a filha de uma viúva, a quem esta, estranhando as excessivas liberdades do “pirata”, interpelou um dia:

– Doutor Moreira, o senhor está namorando minha filha, é para casar, ou para que é?

O boêmio estremeceu dos pés à cabeça, mas, recobrando, de pronto, o sangue frio, respondeu, firme:

– É… “para que é”, minha senhora!

E desapareceu.

A PRESIDÊNCIA DE RUI

Rui Barbosa concorreu quatro vezes à Presidência da República, sem nunca ter conseguido se eleger. Pouco depois da última tentativa, por divergências com alguns de seus pares, também renunciou à presidência da Academia Brasileira de Letras.

A respeito disso, Antônio Torres escreveu: “(…) mas, como o Sr. Rui tem necessidade de uma presidência, seja lá do que for, e como é ele o eterno candidato da mocidade das escolas, é bem possível que s. ex. ainda acabe os seus dias como digno presidente de uma república de estudantes; a menos que s. ex. não queira disputar ao Sr. Nilo Peçanha a presidência da Sociedade Dançante Recreio das Turmalinas Pretas…”

SÓ SE FOR ISSO

Procópio Ferreira, o mais afamado ator cômico de sua época, certa vez ensaiava um ator novato. O homem, porém, queria supervalorizar seu papel na comedieta, e não aceitava passivamente a orientação de Procópio.

– Desculpe, seu Procópio, eu não sinto o papel do jeito que o senhor me ensinou. O que eu queria mesmo era “criar” um tipo. Criar, entendeu, seu Procópio? Criar!…

E Procópio, com a cara mais deslavada do mundo:

– Criar um tipo?! O senhor?! A única coisa que o senhor está autorizado a criar… é galinha.

JÁ DIZ O DITADO…

A sertaneja consulta o marido, nhô Artú, sobre que vestido ela deverá usar para irem a uma função na praça, à noite:

– Visto aquele verde, que eu já tenho usado; ô este de renda e babado, que inda por usá?

– Vista aquele véio, Crara; de noite num se arrepara. Puis como diz o ditado que sempre fala o cumpadre: “de noite todos os gato são leopardo”.

QUERIA SABER DEMAIS

Um caipira, vendo que o amigo usava um vistoso relógio de bolso com corrente, pergunta-lhe:

Cumpadre me diz uma coisa: que hora tu tem aí?

– As horas? Péra aí – diz o outro, tirando o “cabolão” do bolso – Óia aqui cumpadre, fartam deiz.

– Prá quanto?

Home, eu não sei porque perdi o ponteirinho pequeno.

OUTRA FERA

O domador de leões e sua mulher conversam, encostados nas grades da jaula das feras. Aproxima-se um visitante e diz ao domador:

– Por coisa alguma deste mundo eu ficava no seu lugar.

– Ora, a gente se habitua a tudo…

– Mas os leões são os leões!…

– Leões? Ah! Pensei que se referia à minha mulher.