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OLHO POR OLHO

Um homem foi reclamar ao vizinho que o cão deste havia mordido a sua mulher. O vizinho respondeu:

– Muito bem, faça-se justiça. Consinto que a tua mulher morda o meu cão.

TEIMOSA

Uma mulher turrona insistia em chamar o seu marido de “piolhento”, deixando-o furioso. Não adiantava que ele, pedisse, implorasse, ameaçasse, ou – afinal –  lhe aplicasse tremendas surras. Ela continuava chamando-o: “Piolhento!… piolhento!…

Até que um dia ele perdeu as estribeiras, e a atirou dentro de um poço.

A mulher submergia e vinha à tona várias vezes, e a cada vez que vinha a tona, gritava: “Piolhento!”

Antes de morrer afogada, ficou ainda uns segundos apenas com as mãos fora d’água. Mas esfregava as unhas dos polegares um no outro, fazendo o gesto de quem esmaga piolhos…

QUEM SABE, SABE

Um campônio foi consultar um velho erudito sobre algo que muito o intrigava. O sábio, curvado, com grossos óculos, o recebeu em sua vasta biblioteca, onde compulsava grosso alfarrábio.

– Senhor doutor, – disse o camponês – há uma coisa que não me sai do bestunto, e que só o senhor poderá me responder: Por que, se há galinhas brancas, galinhas pretas e galinhas cinza; não as há vermelhas, amarelas ou azuis?

– Ah, meu bom homem: isso é porque não é a moda.

CHOPE

Todo mundo deduz que a palavra chope vem do alemão. Mas o que pouca gente sabe é que o termo não designa a bebida, mas a quantidade dela. Quando os primeiros alemães vieram para o Brasil, no século XIX, havia na Alemanha uma unidade de medida chamada choppen (cerca de meio litro), de que derivou a palavra chope. Os alemães costumavam pedir: – “Ein Choppen Bier, bitte…” (Um “choppen” de cerveja, por favor!…) Mas choppen servia também para qualquer outro líquido: vinho, azeite, vinagre, ou de óleo de iluminação. Assim como, na época, tínhamos no Brasil o quartilho – hoje totalmente em desuso – ninguém mais sabe, na Alemanha, que coisa é choppen. Se você quiser beber um “chope” na Alemanha, deverá pedir lagerbier ou glasbier . Pois se pedir choppen, o garçom alemão vai pensar que você é grego, e que já está bêbado…

DIGA-ME MAL

O poeta satírico D. Tomás de Noronha ( ? – 1651), ironizando de um médico incompetente, que em tudo o que prognosticava errava, escreveu:

                        “Ó praza a Deus que este tal

                        Diga de mim que estou mal

                        Para eu cuidar que estou bem.”

AINDA BEM

Os parentes tinham internado um doutor num manicômio, por falta de juízo. Depois de alguns anos, ele escreveu ao arcebispo pedindo-lhe que o tirasse dali. Um capelão foi encarregado de analisar o pedido. Conversou com o interno e o achou perfeitamente são.

Embora os médicos insistissem que ele não estava curado, concordaram em dar alta ao doutor, por se tratar de pedido do arcebispo.

Na saída, o homem quis se despedir dos internos, e o capelão o acompanhou.  Um deles, indignado porque estariam soltando um louco, disse que, sendo ele Júpiter Tonante, senhor dos raios, providenciaria três anos sem chuvas. O padre e o doutor compadeceram-se do pobre homem, mas partiram.

  Depois que já tinham se afastado bastante do hospício, o doutor agarrou pelo braço o sacerdote, e disse-lhe:

– Não se preocupe! Se Júpiter se negar a enviar chuvas; eu, como Netuno, pai das águas; farei chover sempre que necessário!