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TRAVESTI

Travesti, vem do verbo francês travestir, e não tem o significado disso que muita gente pensa, não!… É apenas o inocente mascarar, disfarçar, fantasiar. Portanto, que ninguém se admire se um austero pai de família francês contar, com um sorriso de embevecimento,  que seu filho é um grande travestisseur (travesti), que não perde uma única “festa alegre” – como o Carnaval de Lyon,  onde fez muito sucesso travestido de “capitão dos lanceiros do século XVIII”, com imensos bigodes enfunados…

HAJA BEXIGA!

Rodrigues Alves era senador, em 1915, quando Rui Barbosa ocupava uma sessão inteira do Senado com um daqueles seus discursos torrenciais. Terminada a discurseira do baiano, Rodrigues Alves comentou para o colega ao lado:

            – O homem falou quase cinco horas! E sem mijar!

TIRAR O CAVALO DA CHUVA

A expressão de gíria tem o sentido de desista, será inútil, vais esperar à toa, etc. No Brasil de antigamente, era costume quando um visitante chegava a uma fazenda, se a visita fosse breve, deixar o cavalo com que viera ao relento; se, entretanto, fosse demorar, recolhia a montaria para um local coberto. A gentileza obrigava o dono da casa a convidar o visitante: – “Seu Fulano, por favor, tire o cavalo da chuva”. E o outro a responder algo como: –  “Obrigado, seu Sicrano, mas não carece; a demora é pouca, etc…” Por analogia, quando alguém acha que a pretensão alheia é descabida ou improvável, diz: Se você espera isso, pode ir tirando o cavalinho da chuva! (o mesmo que: pode esperar sentado!).

SEM DIZER ÁGUA VAI

Até meados do século XIX, era habitual nas cidades as pessoas jogarem na rua a água servida das casas. Mas, para evitar que algum distraído passante viesse a tomar um “banho” indesejado, havia a regra tácita, segundo a qual o morador, antes fazê-lo tinha que avisar gritando: “Água vai!”.

No sentido figurado, sem dizer água vai, portanto, significa fazer algo de repente, de supetão, sem aviso, etc.

CELEBRIDADE

A partir de 1600, começaram a vir da África os primeiros negros escravos, para realizar o trabalho nos engenhos. Um dos aspectos mais trágicos do comércio de escravos africanos, era o fato de os escravizados serem seqüestrados e vendidos aos brancos, por outros africanos, “chefetes” de tribos tolos e sem nenhum senso de moral. Como revela esta anedota:

Os oficiais de um navio destinado à escravatura na costa de Guiné, dirigiram-se ao chefe de uma tribo de negros, para ajustarem escravos. Todos esses chefes de tribo queriam ser príncipes.

“Sua Alteza” recebeu os oficiais em grande cerimônia: o seu trono era um tronco de árvore, seu manto real um pedaço de pano que mal lhe cobria os rins, e as suas guardas três ou quatro selvagens armados de azagaias. Depois que os oficiais lhe disseram ao que iam, lhes perguntou ele:

            – Então? Fala-se muito de mim lá na Europa?


ACORDA PATETA!

D. João, duque de Bragança, hesitava em aceitar a coroa de Portugal que lhe era oferecida.

            Sua mulher, Luisa de Gusmão, lhe disse:

            – Por que titubeais? Vale mais ser rei de Portugal um quarto de hora, que duque de Bragança cem anos!